O JÚBILO DE QUEM AMA
13 de Fevereiro de 2009

 
David Brainerd nasceu em Haddan, condado de Herford, Connecticut, a 20 de abril de 1718. Órfão de pai aos 9 anos e aos 14 anos, órfão de mãe. Seu pai era pastor. Desde os 8 anos atormentava-o a idéia de morte e isso contribuía para ser tão melancólico e retraído quanto foi. Embora de vez em quando se inclinasse para assuntos religiosos, freqüentando mesmo reuniões de oração, todavia passou grande parte de sua adolescência “sem Deus no mundo”. Recebeu conselhos de pessoas mais velhas e passou a andar nessa companhia, visto que, com os jovens, doía-lhe muito a consciência ao voltar das brincadeiras e dos divertimentos. Aos 20 anos começou realmente a estudar.
 
No inverno de 1738 aprouve a Deus, quando ele saía num domingo de manhã, conceder-lhe tal senso do perigo e da ira divina, que ficou assombrado, desvanecendo-se os seus julgamentos de justiça própria. Em fevereiro de 1739, separou um dia para jejum e oração, clamando a Deus por misericórdia. O Senhor lhe abriu novas portas. Todavia, obstinado e endurecido, vagueou, com esperanças às vezes e outras tantas em profunda tristeza. Idéias duras sobre a onisciência de Deus o assaltaram.
 
Diz ele: “Certa manhã, estando a andar sozinho em lugar solitário, como costumava fazer, num repente vi que todas as minhas artimanhas e projetos de efetuar ou procurar libertação e salvação por minhas obras eram inteiramente vãos e então me vi completamente perdido. Percebi que todos os argumentos e desculpas que pudesse engendrar se para tanto me fosse dada a eternidade, seriam ocos e vãos.”
 
Esse estado de alma durou até à noite do domingo 12 de julho de 1739, quando sentiu uma nova visão de Cristo tal qual nunca tivera e da qual não fazia a menor idéia. Permaneceu diante desse cenário divino, por um bom espaço de tempo, inteiramente maravilhado e admirado. Era algo de excelência e beleza fora do comum. Parecia-lhe estar contemplando a glória divina. A sua alma se mostrava cativada e deliciada, parecendo-lhe estar absorvido em Deus. Escreve ele: “Assim o Senhor me trouxe a uma cordial disposição de exaltá-lo no trono como Rei do Universo”. Até tarde da noite, continuou naquele estado de “íntimo contentamento e paz”. Sentia-se como num mundo novo. O caminho da salvação se lhe abriu com tal propriedade e excelência e com tão infinita sabedoria, que muito se admirou. Aquele doce alívio permaneceu por muitos dias. Mas... novas idéias absurdas começaram a surgir. Escreve ele: “Sentia-me grandemente culpado, medroso e envergonhado de comparecer diante de Deus. Sentia-me oprimido por sentimentos de culpa. Pelo mês de agosto desse ano, novamente me senti vencido por grande escuridão”. Mas aprouve ao Senhor voltar-se graciosamente para o seu servo. No mês de setembro, matriculou-se na Universidade de New Havem, no Colégio de Yale. Gastou algum tempo em oração e exame próprio, diariamente e, conforme suas palavras; “O Senhor brilhou de tal maneira no meu coração, que passei a gozar da íntima certeza do Seu favor! Várias passagens da Bíblia se abriram para a minha alma com uma clareza, poder e doçura!”
 
Adoecendo de sarampo, voltou a sua casa em Haddam. E foi aí, durante essa enfermidade que a sua alma chorava a ausência do Consolador. Então clamou a Deus, pedindo-lhe ajuda. Estando entregue à meditação e a oração, “experimentei”, declara ele, “uma visitação refrescante e suave, vinda do Alto, de tal modo que minha alma foi levada para bem acima de todo o temor da morte. Como se tornou agradável esse período! Muito mais que todos os prazeres e delícias que o mundo nos pode oferecer!”
 
Volta à Universidade. Seus períodos de oração e meditação em Deus continuaram e ele atesta: “Oh! Uma hora com Deus excede infinitamente a todos os prazeres deste mundo inferior”.
 
Um dia... (Oh! Como o inimigo espreita os servos do Senhor!) um colega lhe perguntou o que pensava de certo professor e ele respondeu que o dito mestre “não tinha a maior graça do que a cadeira que se sentava”. Estavam presentes uns poucos amigos e outras pessoas. O caso foi denunciado e David foi expulso do Colégio. Os amigos intercederam por ele. Ele próprio buscou a reconciliação. Chegou a escrever uma confissão completa e pormenorizada, suplicando perdão. Humilhou-se até o pó. A direção negou-se, terminantemente, ouvi-lo ou atender-lhe as súplicas.

Continua...

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