O JÚBILO DE QUEM AMA
04 de Junho de 2009

 

Desde a primeira infância, revelou-se a alma religiosa de Albert Schweitzer. O ambiente familiar e a tradição de duas ou três gerações vieram ao encontro do pendor natural e dos dons de Deus, e assim, sem hesitações, sem conflitos, a vida do menino se orientou desde cedo para o serviço religioso. Albert cresceu ouvindo na igreja os sermões de seu pai, e em casa, diariamente, conversas intermináveis sobre os evangelhos, histórias de missionários, entre as quais teve particular ressonância em seu coração a do alsaciano Casalis, que deixara todo o conforto europeu para ensinar os evangelhos aos negros africanos.

 

O ano de 1893, quando contava dezoito anos de idade, foi decisivo e rico em experiências. Numa viagem a Paris, teve o primeiro contato com Charles-Marie Widor, grande compositor e organista francês, ao qual ficará ligado por laços de gratidão e admiração para o resto da vida. Em outubro do mesmo ano conseguiu admissão no Colégio de Teologia de São Tomás, da Universidade de Estrasburgo. E é aí, nesse centro de intensa cultura, e na viagem que de vez em quando fará a Paris, que se desenvolve a vida cultural e religiosa de Albert Schweitzer. Nessa grande e famosa Universidade o tempo e as atividades do jovem Albert dividiam-se entre a Teologia, a Filosofia e a Música. Cada aluno do Colégio de São Tomás dispunha de um pequeno aposento, mobiliado com simplicidade e conforto, com uma janela aberta para o jardim. Por causa de seu talento já reconhecido, Albert dispunha de um órgão e de uma grande biblioteca de livros raros e preciosos que ele podia usar como se fossem seus. No seu quarto de estudante, Albert Schweitzer pendurou um quadro com as seguintes estrofes de uma canção, que até hoje estão no seu escritório em Günsbach, e que exprimem bem a norma de sua vida:

 

Toujours plus haut

Place on revê ou ton désir

L’idéal que tu veux server

Toujours plus haut!

 

Toujours plus haut!

Si, bien souvent, ton ciel se voile,

Que de ta foi brille l’étoile,

Toujours plus haut!

 

 

 

 

 

 

Em sua autobiografia, conta que teve certa dificuldade no estudo do hebraico, conseguindo no exame feito em fevereiro de 1894 uma penosa aprovação. Mas a deficiência que sentia da língua hebraica não o impedia de acompanhar com interesse o ciclo de aulas dadas por Heinrich Julius Holtzmann sobre os evangelhos de Mateus, Lucas e Marcos, chamados sinópticos.

A partir do dia 1º de abril de 1894 teve de fazer seu serviço militar. No outono do mesmo ano, tendo de partir para as manobras militares da região  de Hochfeldern, na Alsácia Inferior, enfiou na mochila o Novo Testamento, em grego, disposto a estudar a fundo os tais evangelhos sinópticos nas horas de folga.

Em 1896, teve a felicidade de assistir em Bayreuth, no famoso teatro construído sob indicações do próprio Wagner, à primeira reapresentação da coleção de óperas (tetralogia) cuja estréia datava de 1876. E foi no grupo de amigos dessa época e dessa excursão musical que conheceu Helena Bresslau, filha de um conhecido historiador e moça de gostos e paixões muito parecidas com as de Albert. Nessa época, aos vinte e um anos, Albert era um reputado organista e já se ia tornando um famoso teólogo e hmanista. Em 1898 terminou o curso na Universidade de Estrasburgo, ganhando uma bolsa de 1.200 marcos por ano, que lhe permitiu deslocar-se para Paris, onde passou a freqüentar cursos de Filosofia na Sorbone, e cursos de órgão com o mestre francês Widor. Sua vida cultural doravante oscilará entre Paris, Estrasburgo e Berlim. Esta alma tipicamente internacional realiza em si a pacífica fusão das culturas francesa e alemã. Em Paris se liga com Romain Roland, que seria seu grande amigo em tempo e contratempo; em Berlim entra em contato com a obra grandiosa de Goethe, sobre a qual escrevera mais tarde um estudo com que ganhara um dos mais cobiçados prêmios da Europa. Mas é em Estrasburgo que pretende firmar-se como professor.

Em março de 1902, na Faculdade de Teologia de Estrasburgo, pronunciou uma aula inaugural sobre o Prólogo do Evangelho de São João, e logo depois foi nomeado diretor do seminário protestante. Parecia chegar ao termo de suas ascensões a vida de Albert Schweitzer. Que mais poderia desejar? Que cargo mais alto e mais honroso podia pretender naquele tempo e naquele mundo europeu, um homem que amava a Bíblia, a Música e de um modo geral a cultura?

Lá na parede de seu aposento, entretanto, brilhavam aquelas estrofes:

                           Toujours plus haut! (Sempre mais alto)

O coração de Albert Schweitzer, nessa época de realizações, falava-lhe de outros modos de subir... ou melhor, gemia: “Minha mocidade correu particularmente feliz. Eu me sentia esmagado... e a mim mesmo perguntava se tinha direito...”

No seu coração ruminava uma idéia que só brota, floresce e frutifica nos corações generosos. A idéia que o Apostolo Paulo exprimiu neste fragmento: “Há mais alegria em dar do que em receber.”(Atos 20:35). Albert Schweitzer sentia o bem estar e o triunfo da carreira como quem sente o peso de um tesouro que lhe fora confiado, não para o seu próprio proveito, mas para o bem dos outros. Chegava aos trinta anos com um grande cabedal e agora se sentia no começo de uma vida nova. Tornou a encontrar Helena Bresslau, que também desejava consagrar-se a alguma obra para o bem dos outros. Conversavam muito de música, de teologia, de filosofia e literatura; mas certamente quando se calavam as bocas, os dois corações em uníssono continuavam a cantar:

 

                          “Toujours plus haut!

                            Toujours plus haut!”

 

Continua.

 

 

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sinto-me: ANGUSTIADA, MAS Ñ DESESPERADA
música: SECRETAMENTE
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