O JÚBILO DE QUEM AMA
21 de Junho de 2009

 

 

 

CHARLES HODGE

Nasceu  na Filadélfia -Pensilvânia (1797 – 1878).  Caçula de uma família de cinco crianças, logo se encontrou com o infortúnio de ser órfão aos seis meses de idade.  A educação e cuidados infantis de todas as crianças recaíram sobre a mãe, Maria Blanchard, uma descendente de franceses Huguenots, o herdeiro de uma forte personagem e viver a sua religião, de exercer uma forte influência sobre o menor de seus filhos. Presbiteriana convertida, levantou a sua família na Fé de Westminster, que promete aos filhos e netos jamais se afastar.

Convertido na idade de 18 anos como conseqüência de um renascimento enquanto estudava em Princeton College em 1815, Charles matriculou-se no seminário em 1816, juntamente com outros vinte e seis alunos no âmbito da instrução dos únicos dois professores da época, Alexander e Miller. Hodge tornou-se um fiel discípulo de Alexander, pode-se dizer que ele aprendeu tudo: um sólido conhecimento do calvinismo acoplado com uma evangélica fervorosa espiritualidade, juntamente com uma rigorosa adaptação da filosofia escocesa do senso comum. Continuou  no seminário até o final.  

 Formado a 28 de setembro de 1819, recebeu um mês depois, a licença de pregar o Evangelho. Sentiu como se um fogo queimasse em seu peito: a salvação das almas e à propagação da sã doutrina.  Então, quando ele foi sugerido como um professor assistente de Literatura e exegese bíblica no seminário que acabara graduado, ele rejeitou a oferta porque ele não teve maior privilégio do que pregar o Evangelho.  Podemos constatar isso porque a sua merecida reputação como um teólogo sistemático tende a cancelar seus muitos outros méritos como um homem da Igreja.  Além das suas volumosas teologias sistemáticas apareceu perto do fim da sua vida, fruto maduro de uma vida de ação e de serviço ao povo de Deus.  Em seu próprio tempo, Hodge era admirado por muitos e através do evangelho conquistou muitos outros, principalmente  aqueles que ele ganhou com sua obra prima.

 Assim como vemos, em 1820 permaneceu em Princeton, ao lado de seus dois ex-professores, e Alexander Miller. Tal foi o efeito produzido sobre eles que recomenda à Assembléia da Igreja, como um professor regular.

 Em 1822 casou com Sarah Bache, um resultado direto de seu trabalho evangelístico, tendo sido convertida por um dos seus sermões. O casal feliz tem oito filhos.

Hodge gastou mais de meio século de sua vida ao ensino e à preparação dos candidatos para o ministério cristão.Calcula-se que cerca de 3.000 alunos já passaram por suas aulas durante estes cinquenta anos. Um dia foi comemorado este ato e todas as lojas e empresas fecharam as portas em Princeton, para expressar sua admiração e respeito pelo professor. Hodge ficou apenas ausente do seu ensino presencial, por um período de dois anos. Neste ínterim, ele usou para estudar em instituições na Europa. A motivação para esta etapa veio de sua crença sincera e insuficiente preparação em línguas bíblicas e orientais e bíblicas crítica, típica da teologia alemã . Assim, em 1826, o nome e a boa reputação do seminário e no interesse da sua própria formação teológica, ele decidiu ir à França e à Alemanha, para estudar com os melhores professores no domínio das ciências bíblicas. Na Alemanha, estudou a linguagem com o jovem George Müller (v.), mas ainda podia adivinhar o futuro líder dos Irmãos e fundador do famoso orfanato.Ele também teve a oportunidade de ouvir pregar FDE Schleiermacher (1768-1834), pai da moderna religiosa liberalismo.

 Hodge deu uma orientação científica definitiva para o seu trabalho teológico, no sentido de estudo rigoroso e bem articulado na melhor tradição da teologia cristã de todos os tempos.

 Não era apenas um teólogo em causa para pôr em ordem sistemática a uma multiplicidade de textos bíblicos sobre as diversas doutrinais verdades da fé cristã, também foi um comentarista insuperável.  Eles atestam a sua admirável opinião nas epístolas de Romanos, Efésios, 1 ª e 2 ª Coríntios. Eles revelam o minucioso erudito, o Sapientíssimo das línguas originais, o teólogo pode dar à luz os detalhes de seu plano, o pastor de almas, sempre ouve a voz do Mestre.

 Consumado o grande trabalho de sua vida com a publicação, em três volumes de sua Teologia Sistemática (1872), apenas seis anos antes de sua morte. Continua a ser o mais eficaz apresentação do calvinismo evangélico americano, de forma que ainda hoje continua a ser utilizado.  "Os problemas não parecem complicados nas mãos de Hodge escreve o pastor do Tabernáculo Metropolitano, em Londres, Peter Masters. Aqui, a teologia sistemática oferece um simpático sorriso."
 
 Ele faleceu em 19 de junho de 1878.
 

 

 

 

 

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13 de Junho de 2009

 

Parabéns Poeta!

 

 

 

 

 

Largo de São Carlos

 

 

Às três horas e vinte minutos da tarde de 13 de Junho de 1888 nascia em Lisboa Fernando Pessoa. O parto ocorreu no quarto andar esquerdo do n.º 4 do Largo de São Carlos, em frente à ópera de Lisboa (Teatro de São Carlos). De famílias da pequena aristocracia, pelos lados paterno e materno, o pai, Joaquim de Seabra Pessoa (38), natural de Lisboa, era funcionário público do Ministério da Justiça e crítico musical do «Diário de Notícias». A mãe, D. Maria Magdalena Pinheiro Nogueira Pessoa (26), era natural dos Açores (mais propriamente, da Ilha Terceira). Viviam com eles a avó Dionísia, doente mental, e duas criadas velhas, Joana e Emília.

É batizado em 21 de Julho na Basílica dos Mártires, ao Chiado. Os padrinhos são a Tia Anica (D. Ana Luísa Pinheiro Nogueira, sua tia materna) e o General Chaby. A razão por trás do nome Fernando Antonio encontra-se relacionada com Santo Antonio: a família reclamava uma ligação genealógica com Fernando de Bulhões, nome de batismo de Santo Antonio, tradicionalmente festejado em Lisboa a 13 de Junho, dia em que Fernando Pessoa nasceu.

As suas infância e adolescência foram marcadas por fatos que o influenciariam posteriormente. Às cinco horas da manhã de 24 de Julho de 1893, o pai morre com 43 anos, vítima de tuberculose. A morte é reportada no Diário de Notícias do dia. Fernando tinha apenas cinco anos. O irmão Jorge viria a falecer no ano seguinte, sem completar um ano. A mãe vê-se obrigada a leiloar parte da mobília e muda-se para uma casa mais modesta, o terceiro andar do n.º 104 da Rua de São Marçal. É também nesse período que surge o primeiro heterônimo de Fernando Pessoa, Chevalier de Pas, fato relatado pelo próprio a Adolfo Casais Monteiro, numa carta de 1935 em que fala extensamente sobre a origem dos heterônimos. Ainda no mesmo ano, escreve o primeiro poema, um verso curto com a infantil epígrafe de À Minha Querida Mamã. Sua mãe casa-se pela segunda vez em 1895 por procuração, na Igreja de São Mamede em Lisboa, com o comandante João Miguel Rosa, cônsul de Portugal em Durban (África do Sul), que havia conhecido um ano antes. Em África, Pessoa viria a demonstrar desde cedo talento para a literatura.

A mãe e o padrasto

 

Em razão do casamento, muda-se com a mãe e um tio-avô, Manuel Gualdino da Cunha, para Durban, onde passa a maior parte da juventude. Viajam no navio Funchal até à Madeira e depois no paquete Inglês Hawarden Castle até ao Cabo da Boa Esperança. Tendo de dividir a atenção da mãe com os filhos do casamento e com o padrasto, Pessoa isola-se, o que lhe propicia momentos de reflexão. Em Durban, estudou na escola Durban High School, uma escola somente para meninos e foi onde recebeu uma educação britânica, que lhe proporciona um profundo contato com a língua inglesa. Os seus primeiros textos e estudos são em inglês. Mantém contato com a literatura inglesa através de autores como Shakespeare, Edgar Allan Poe, John Milton, Lord Byron, John Keats, Percy Shelley, Alfred Tennyson, entre outros. O inglês teve grande destaque na sua vida, trabalhando com o idioma quando, mais tarde, se torna correspondente comercial em Lisboa, além de o utilizar em alguns dos seus textos e traduzir trabalhos de poetas ingleses, como O Corvo e Annabel Lee de Edgar Allan Poe. Com excepção de Mensagem, os únicos livros publicados em vida são os das coletâneas dos seus poemas ingleses: Antinous e 35 Sonnets e English Poems I - II e III, escritos entre 1918 e 1921.
 
 
 
 

Fernando Pessoa aos 6 anos 

Faz o curso primário na escola de freiras irlandesas da West Street, onde recebe a primeira comunhão e percorre em dois anos o equivalente a quatro. Em 1899 ingressa na Durban High School, onde permanecerá durante três anos e será um dos primeiros alunos da turma. No mesmo ano, cria o pseudônimo Alexander Search, através do qual envia cartas a si mesmo. No ano de 1901, é aprovado com distinção no primeiro exame Cape School High Examination e escreve os primeiros poemas em inglês. Na mesma altura, morre sua irmã Madalena Henriqueta, de dois anos. De férias, parte em 1901 com a família para Portugal. No navio em que viajam, o paquete König, vem o corpo da irmã. Em Lisboa, mora com a família em Pedrouços e depois na Avenida de D. Carlos I, n.º 109, 3.º Esquerdo. Na capital portuguesa, nasce João Maria, quarto filho do segundo casamento da mãe de Pessoa. Viaja com o padrasto, a mãe e os irmãos à Ilha Terceira, nos Açores, onde vive a família materna. Deslocam-se também a Tavira para visitar os parentes paternos. Nessa época, escreve o poema "Quando ela passa".
 
Fernando Pessoa permanece em Lisboa, enquanto todos — mãe, padrasto, irmãos e criada Paciência, que viera com eles — regressam a Durban. Volta sozinho para a África no vapor Herzog. Na mesma época, tenta escrever romances em inglês e matricula-se na Commercial School, frequentando o curso noturno enquanto de dia se ocupa com disciplinas humanísticas. Em 1903, candidata-se à Universidade do Cabo da Boa Esperança. Na prova de exame de admissão, não obtém boa classificação, mas tira a melhor nota entre os 899 candidatos no ensaio de estilo inglês. Recebe por isso o Queen Victoria Memorial Prize («Premio Rainha Vitória»). Um ano depois, ingressa novamente na Durban High School, onde frequenta o equivalente a um primeiro ano universitário. Aprofunda a sua cultura, lendo clássicos ingleses e latinos. Escreve poesia e prosa em inglês, surgindo os heterônimos Charles Robert Anon e H. M. F. Lecher. Nasce a sua irmã Maria Clara. Publica no jornal do liceu um ensaio crítico intitulado Macaulay. Por fim, encerra os seus bem sucedidos estudos na África do Sul com o «Intermediate Examination in Arts», na Universidade, obtendo uma boa classificação.
Retratado por João L. Roth
 
Deixando a família em Durban, regressa definitivamente à capital portuguesa, sozinho, em 1905. Passa a viver com a avó Dionísia e as duas tias na Rua da Bela Vista, n.º 17. A mãe e o padrasto regressam também a Lisboa, durante um período de férias de um ano em que Pessoa volta a morar com eles. Continua a produção de poemas em inglês e, em 1906, matricula-se no Curso Superior de Letras (atual Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa), que abandona sem sequer completar o primeiro ano. É nesta época que entra em contato com importantes escritores portugueses. Interessa-se pela obra de Cesário Verde e pelos sermões do Padre Antonio Vieira.
 
Em Agosto de 1907, morre a sua avó Dionísia, deixando-lhe uma pequena herança, com a qual monta uma pequena tipografia, na Rua da Conceição da Glória, 38-4.º, sob o nome de «Empreza Ibis — Typographica e Editora — Officinas a Vapor», que rapidamente faliu. A partir de 1908, dedica-se à tradução de correspondência comercial, uma atividade a que poderíamos dar o nome de "correspondente estrangeiro". Nessa profissão trabalha a vida toda, tendo uma modesta vida pública.
Inicia a sua atividade de ensaísta e crítico literário com o artigo «A Nova Poesia Portuguesa Sociologicamente Considerada», a que se seguiriam «Reincidindo...» e «A Nova Poesia Portuguesa no Seu Aspecto Psicológico» publicados em 1912 pela revista A Águia, órgão da Renascença Portuguesa.
 
Pessoa é internado no dia 29 de Novembro de 1935, no Hospital de São Luís dos Franceses, com diagnóstico de "cólica hepática", provavelmente uma colangite aguda causada por cálculo biliar e associada a cirrose hepática com origem no óbvio excesso de álcool ao longo da sua vida (a título de curiosidade: acredita-se que era muito fiel à aguardente "Águia Real"). Morre no dia 30 de Novembro, com 47 anos de idade. Nos últimos momentos de vida, pede os óculos e clama pelos seus heterônimos. A sua última frase foi escrita no idioma no qual foi educado, o Inglês: «I know not what tomorrow will bring» (Não sei o que o futuro trará).
 Legado
Pode-se dizer que a vida do poeta foi dedicada a criar e que, de tanto criar, criou outras vidas através dos seus heterônimos, o que foi a sua principal característica e motivo de interesse pela sua pessoa, aparentemente muito pacata. Alguns críticos questionam se Pessoa realmente teria transparecido o seu verdadeiro eu ou se tudo não teria passado de um produto, entre tantos, da sua vasta criação. Ao tratar de temas subjetivos e usar a heteronímia, torna-se enigmático ao extremo. Este fato é o que move grande parte das buscas para estudar a sua obra. O poeta e crítico brasileiro Frederico Barbosa declara que Fernando Pessoa foi "o enigma em pessoa". Escreveu sempre, desde o primeiro poema aos sete anos, até ao leito de morte. Importava-se com a intelectualidade do homem, e pode-se dizer que a sua vida foi uma constante divulgação da língua portuguesa: nas próprias palavras do heterônimo Bernardo Soares, "a minha pátria é a língua portuguesa". O mesmo empenho é patente no seguinte poema:
 
Tenho o dever de me fechar em casa no meu espírito e trabalhar
quanto possa e em tudo quanto possa, para o progresso da
civilização e o alargamento da consciência da humanidade

Analogamente a Pompeu, que disse que "navegar é preciso; viver não é preciso", Pessoa diz, no poema Navegar é Preciso, que "viver não é necessário; o que é necessário é criar". Outra interpretação comum deste poema diz respeito ao fato de a navegação ter resultado de uma atitude racionalista do mundo ocidental: a navegação exigiria uma precisão que a vida poderia dispensar.
O poeta mexicano Octavio Paz, laureado com o Nobel de Literatura, diz que "os poetas não têm biografia. A sua obra é a sua biografia" e que, no caso de Fernando Pessoa, "nada na sua vida é surpreendente — nada, exceto os seus poemas". No livro The Western Canon, o crítico literário estadunidense Harold Bloom considerou-o o mais representativo poeta do século XX, ao lado do chileno Pablo Neruda.
Na comemoração do centenário do nascimento de Pessoa, em 1988, o seu corpo foi trasladado para o Mosteiro dos Jerônimos, confirmando o reconhecimento que não teve em vida.
Último local de residência do poeta.
 
Fernando Pessoa possuía ligações ao ocultismo e ao misticismo, com destaque para a Maçonaria e a Rosa-Cruz (embora não se conheça qualquer filiação concreta em Loja ou Fraternidade dessas escolas de pensamento), havendo inclusive defendido publicamente as organizações iniciáticas, no Diário de Lisboa de 4 de fevereiro de 1935, contra ataques por parte da ditadura do Estado Novo. O seu poema hermético mais conhecido e apreciado entre os estudantes de esoterismo intitula-se "No Túmulo de Christian Rosenkreutz". Tinha o hábito de fazer consultas astrológicas para si mesmo (de acordo com a sua certidão de nascimento, nasceu às 15h20, tinha ascendente Escorpião e o Sol em Gémeos). Realizou mais de mil horóscopos.
 
Apreciava também o trabalho do famoso ocultista Aleister Crowley, tendo inclusive traduzido o poema Hino a Pã. Certa vez, lendo uma publicação inglesa de Crowley, encontrou erros no horóscopo e escreveu-lhe para o corrigir, pois era conhecedor e praticante de astrologia. Os seus conhecimentos impressionaram Crowley e, como este gostava de viagens, veio a Portugal conhecer o poeta. Acompanhou-o a maga alemã Miss Jaeger, que passou a escrever cartas a Fernando, assinadas com um pseudônimo ocultista. O encontro não foi muito amigável, dados os graves desequilíbrios psíquico e espiritual de que Crowley sofria (apesar disso, ainda ensinava).

 

Curiosidades
  • O professor universitário Armindo Freitas-Magalhães criou um inédito programa de literacia emocional, inspirado no verso de Fernando Pessoa "Se às Vezes as Flores Sorriem" (2009).
 
  • Numa tarde em que José Régio tinha combinado encontrar-se com Pessoa, este apareceu, como de costume, com algumas horas de atraso, declarando ser Álvaro de Campos e pedindo perdão por Pessoa não ter podido comparecer ao encontro.
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  • Fernando Pessoa trabalhava como correspondente comercial, num sistema que hoje denominamos free lancer. Assim, podia trabalhar apenas dois dias por semana, dedicando os demais, exclusivamente, à sua grande paixão: a literatura.
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  • A poetisa, professora e jornalista brasileira Cecília Meireles foi a Portugal em 1934, para proferir conferências na Universidade de Coimbra e na Universidade de Lisboa. Um grande desejo seu era conhecer o poeta, de quem se tinha tornado admiradora. Através de um dos escritórios para os quais Fernando Pessoa trabalhava, conseguiu comunicar com ele e marcar um encontro para o meio-dia, mas esperou inutilmente até às duas da tarde sem que Pessoa desse um ar da sua graça. De regresso ao hotel, Cecília teve a surpresa de encontrar um exemplar do livro Mensagem e um recado do misterioso poeta, justificando que não comparecera porque consultara os astros e, segundo o seu horóscopo, “os dois não eram para se encontrar”. Realmente, não se encontraram nem houve muito mais oportunidades para tal, pois no ano seguinte Fernando Pessoa faleceu.
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  • Pessoa media 1,73 m de altura, de acordo com o seu Bilhete de Identidade.
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  • O assento de óbito de Pessoa indica como causa da morte "bloqueio intestinal".
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  • A Universidade Fernando Pessoa (UFP), com sede no Porto, foi criada em homenagem ao poeta.
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  • Fernando Pessoa é o primeiro português a figurar na Plêiade (Collection Bibliothèque de la Pléiade), prestigiada coleção francesa de grandes nomes da literatura.
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  • Ofélia Queiroz, sua namorada, criou um heterônimo para Fernando Pessoa: Ferdinand Personne. "Ferdinand" é o equivalente a "Fernando" em alguns idiomas e "Personne" significa "ninguém" em francês, residindo a curiosidade deste trocadilho no fato de Fernando, por criar outras personalidades, não ter um eu definido.
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  • Em Os Mal-Amados (2008), Fernando Dacosta relata uma conversa com Agostinho da Silva, que conhecera pessoalmente Fernando Pessoa em Dezembro de 1934. O poeta confidenciara-lhe, acabrunhado, que estava muito arrependido por ter escrito as cartas de amor a Ofélia. "Fizera-o movido pela sua irremediável fantasia heteronímica" (pg. 358), para saber como seria o romance entre um vulgar empregado de escritório e uma sua colega de trabalho, carente de afecto. Disfrutou o jogo durante algum tempo, mas, quando se apercebeu da monstruosidade da coisa, pôs fim ao romance fictício, para não fazer sofrer uma mulher real e apaixonada.
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  • O cantor brasileiro Caetano Veloso compôs a canção "Língua", em que existe um trecho inspirado num artigo de Fernando sobre o tema "A minha pátria é a língua portuguesa". O trecho é: A língua é minha Pátria / E eu não tenho Pátria: tenho mátria / Eu quero frátria. Já o compositor Tom Jobim transformou o poema O Tejo é mais Belo em música. Identicamente, Vitor Ramil, cuja música "Noite de São João" tem como letra a poesia de Alberto Caeiro. A cantora Dulce Pontes musicalizou o poema O Infante. O grupo Secos e Molhados musicalizou a poesia "Não, não digas nada". Os portugueses Moonspell cantam no tema Opium um trecho da obra Opiário de Álvaro de Campos. O cantor Renato Braz traz no seu CD "Outro Quilombo" duas poesias musicadas: "Segue o teu destino", de Ricardo Reis, e "Na ribeira deste rio", de Fernando Pessoa.
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  • O jornal Expresso e a empresa Unisys criaram, em 1987, o Prémio Pessoa, concedido anualmente à pessoa ou às pessoas de nacionalidade portuguesa que, durante o ano transcorrido e na sequência de actividade anterior, se tenham distinguido na vida científica, artística ou literária.
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  • Em 2006, a empresa Unicre lançou um cartão de crédito intitulado "A palavra", onde o titular pode gravar, à escolha, uma de 6 frases de Fernando Pessoa ou dos seus heterônimos.

cleudf
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sinto-me: Decepcionada
música: Amor a Portugal
10 de Junho de 2009

 
 

 

  

 

Albert Schweitzer possuía um fantástico sentimento de solidariedade que lhe permitiu sentir a aflição dos outros. Chegando ao apogeu de sua carreira, parecia-lhe inconcebível a idéía de aceitar uma vida feliz e amena enquanto em volta de si muitos gemiam e sofriam. Foi numa manhã de verão de 1896, em Günsbach, que a alma de Schweitzer decidiu colocar-se a serviço dos outros. Perseguia-o as Palavras de Jesus: “Quem quer possuir a vida, perdê-la-á; quem por amor de Mim a perder, este a possuirá”.
 
Albert Schweitzer, por volta dos trinta anos, já tinha publicado um opúsculo sobre Eugen Münch, uma tese sobre a vida de Jesus, um estudo sobre a filosofia de Emanuel Kant, duas obras de vulto, uma em francês e outra em alemão, sobre J.S.Bach, e finalmente um livro sobre “A arte de construir órgãos e a arte de tocá-los”. Mas apesar de todos os seus altos estudos, Albert Schweitzer, sentia que, como homem civilizado, filho da região que bem podia ser apontada como centro de gravidade da cultura européia, ele sabia melhor do que ninguém que um livro bem feito é uma bênção para todos; sabia que a Teologia deve ser ensinada com competência; que a música de Bach deve ser bem compreendida e que os órgãos devem ser esmeradamente construídos. Alguma coisa dentro dele lhe dizia agora, na esquina dos trinta anos, que todos aqueles primores são vãos se o mundo não é fraterno. A impaciência de seu coração pedia obra mais direta.
 
Não distinguia bem qual seria a obra para a sua vida. Pensou primeiro em alguma atividade realizada na própria Europa; acolher crianças abandonadas com o objetivo de elas serem educadas com o mesmo ideal e ele procuraria obter delas o compromisso de mais tarde ajudarem outras crianças. Quando em 1903, passou a ocupar a direção do Instituto Teológico, ofereceu seus serviços, baseados nesta proposta e não obteve êxito. As organizações existentes de socorro à infância abandonada desconfiavam da perseverança do voluntário que se oferecia. Por incrível que pareça, mesmo após o incêndio do Orfanato de Estrasburgo, sua oferta de acolher provisoriamente algumas crianças não foi atendida.
 
Depois do insucesso da primeira atividade assistencial, ingressou num movimento organizado pelo pároco August Ernest, de Santo Tomás, que consistia em ajudar moradores de rua e ex-condenados, a fim de levá-los para o convívio, para a comunhão dos homens. Algumas vezes conseguiu prestar auxílio merecido e real, mas convenceu-se de que não era ainda esse o seu caminho.
 
Em 1904, Albert Schweitzer, encontrou um fascículo da Sociedade Missionária de Paris, folheando-o, seus olhos depararam com um título de um artigo: “As Necessidades da Missão do Congo” . E de repente, como se um relâmpago iluminasse a alma, Schweitzer tomou para si o chamado “A Igreja precisa de homens que respondam logo ao chamado do Senhor com estas palavras: Eis-me aqui, Senhor”. A partir deste momento Schweitzer tomou a resolução; ser médico na Missão africana.
 
“No dia 13 de outubro de 1905, uma sexta-feira, em Paris, coloqueis várias cartas numa caixa postal da Avenue de La Grande Armée, comunicando a meus pais, e alguns amigos mais próximos, a resolução de iniciar os estudos de medicina no princípio do semestre de inverno, para trabalhar como médico na África Equatorial. Numa das cartas, alegando a necessidade de me dedicar aos novos estudos, pedia demissão do meu cargo de diretor do Instituto Teológico de São Tomás”. Assim nos conta o próprio Albert Schweitzer em sua autobiografia.
 
Foi uma surpresa para todos, a decisão tomada por Albert. Seus amigos levantaram uma onda de protestos e recriminações, e o reitor e demais professores da Universidade de Estrasburgo balançavam a cabeça quando aludia ao caso. Uma das suas dificuldades foi a volta aos bancos escolares aos trinta e tantos anos, entre rapazes de dezoito. É fácil imaginar o isolamento em que viveu e certamente não faltaram gracejos, ironias, dirigidos pelos rapazes àquele homenzarrão taciturno e obstinado.
 
Seis anos! Durante esse período ele continuava realizando concertos e conferências em Paris. A sua relação de amizade com Helena Bresslau era mais freqüente e cada vez mais descobria a apatia que sentiam um pelo outro. Nesse tempo ela estudava enfermagem.
 
Formado em Medicina, Schweitzer achou ainda indispensável seguir em Paris um curso intensivo sobre doenças tropicais; e nesse meio tempo começou a angariar fundos para um hospital que sonhava construir em Lambarene, nas margens do rio Ogooue. Não procurou nenhum subsídio proveniente de qualquer instituição, nem quis nenhum auxílio do Estado. Queria realizar seu trabalho com absoluta independência, livre de compromissos e principalmente livre de qualquer ligação com a burocracia estatal. Recorreu a amigos, bateu em todas as portas, e antes de iniciar a aquisição do material necessário, tratou de obter o apoio e a permissão da Sociedade Missionária de Paris.
 
Antes de deixar a Europa, o Dr. Schweitzer apresentou sua tese, em que a Medicina e a Teologia se entrelaçavam: “Estudo psiquiátrico de Jesus. Exposição e crítica”
 

Em 1913 o Dr. Schweitzer casou-se com Helèné. E logo após, num domingo de Páscoa, os recém-casados embarcam no vapor “Europa”, em Bordéus, com destino à África Equatorial
(Gabão), onde construiu, nas margens do rio Ogoué, um hospital para doenças tropicais e a clínica para leprosos Lambaréné, que desenvolvia uma intensa atividade médica e missionária.

 

 

 

 

 Durante a Primeira Guerra Mundial, foi encarcerado pelas tropas francesas e, em 1924, regressou a Lambaréné. Recorrendo a conferências, a concertos de órgão (era um especialista em Bach) e aos dividendos obtidos com seus livros, conseguiu financiar as instalações. Schweitzer tornou-se uma figura lendária devido a sua atividade solitária. No campo teológico, dedicou-se à investigação sobre a vida de Jesus. Em 1951, recebeu o Prêmio da Paz outorgado pelos livreiros alemães e, em 1952, o Prêmio Nobel da Paz.

Em 1958 ele fez apelos na Rádio de Oslo para o abandono de testes nucleares. Durante toda sua vida, Schweitzer escreveu vários livros, dentre eles The Philosophy of Civilization, The Mystery of the Kingdom of God e Out of My Life and Thought, que consiste na sua autobiografia. Seu estudo Reverence for Life apresenta os fundamentos para o pensamento bioético.

 

 

 

Schweitzer morreu em quatro de setembro de 1965, em Lambarené.

 

 

 

Fonte: Schoolmaster- Enciclopédia de Pesquisas-Grandes vocações.

 

 

 

 

 

 

 

cleudf
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sinto-me: Feliz com Jesus
música: Clássica - Bach
04 de Junho de 2009

 

Desde a primeira infância, revelou-se a alma religiosa de Albert Schweitzer. O ambiente familiar e a tradição de duas ou três gerações vieram ao encontro do pendor natural e dos dons de Deus, e assim, sem hesitações, sem conflitos, a vida do menino se orientou desde cedo para o serviço religioso. Albert cresceu ouvindo na igreja os sermões de seu pai, e em casa, diariamente, conversas intermináveis sobre os evangelhos, histórias de missionários, entre as quais teve particular ressonância em seu coração a do alsaciano Casalis, que deixara todo o conforto europeu para ensinar os evangelhos aos negros africanos.

 

O ano de 1893, quando contava dezoito anos de idade, foi decisivo e rico em experiências. Numa viagem a Paris, teve o primeiro contato com Charles-Marie Widor, grande compositor e organista francês, ao qual ficará ligado por laços de gratidão e admiração para o resto da vida. Em outubro do mesmo ano conseguiu admissão no Colégio de Teologia de São Tomás, da Universidade de Estrasburgo. E é aí, nesse centro de intensa cultura, e na viagem que de vez em quando fará a Paris, que se desenvolve a vida cultural e religiosa de Albert Schweitzer. Nessa grande e famosa Universidade o tempo e as atividades do jovem Albert dividiam-se entre a Teologia, a Filosofia e a Música. Cada aluno do Colégio de São Tomás dispunha de um pequeno aposento, mobiliado com simplicidade e conforto, com uma janela aberta para o jardim. Por causa de seu talento já reconhecido, Albert dispunha de um órgão e de uma grande biblioteca de livros raros e preciosos que ele podia usar como se fossem seus. No seu quarto de estudante, Albert Schweitzer pendurou um quadro com as seguintes estrofes de uma canção, que até hoje estão no seu escritório em Günsbach, e que exprimem bem a norma de sua vida:

 

Toujours plus haut

Place on revê ou ton désir

L’idéal que tu veux server

Toujours plus haut!

 

Toujours plus haut!

Si, bien souvent, ton ciel se voile,

Que de ta foi brille l’étoile,

Toujours plus haut!

 

 

 

 

 

 

Em sua autobiografia, conta que teve certa dificuldade no estudo do hebraico, conseguindo no exame feito em fevereiro de 1894 uma penosa aprovação. Mas a deficiência que sentia da língua hebraica não o impedia de acompanhar com interesse o ciclo de aulas dadas por Heinrich Julius Holtzmann sobre os evangelhos de Mateus, Lucas e Marcos, chamados sinópticos.

A partir do dia 1º de abril de 1894 teve de fazer seu serviço militar. No outono do mesmo ano, tendo de partir para as manobras militares da região  de Hochfeldern, na Alsácia Inferior, enfiou na mochila o Novo Testamento, em grego, disposto a estudar a fundo os tais evangelhos sinópticos nas horas de folga.

Em 1896, teve a felicidade de assistir em Bayreuth, no famoso teatro construído sob indicações do próprio Wagner, à primeira reapresentação da coleção de óperas (tetralogia) cuja estréia datava de 1876. E foi no grupo de amigos dessa época e dessa excursão musical que conheceu Helena Bresslau, filha de um conhecido historiador e moça de gostos e paixões muito parecidas com as de Albert. Nessa época, aos vinte e um anos, Albert era um reputado organista e já se ia tornando um famoso teólogo e hmanista. Em 1898 terminou o curso na Universidade de Estrasburgo, ganhando uma bolsa de 1.200 marcos por ano, que lhe permitiu deslocar-se para Paris, onde passou a freqüentar cursos de Filosofia na Sorbone, e cursos de órgão com o mestre francês Widor. Sua vida cultural doravante oscilará entre Paris, Estrasburgo e Berlim. Esta alma tipicamente internacional realiza em si a pacífica fusão das culturas francesa e alemã. Em Paris se liga com Romain Roland, que seria seu grande amigo em tempo e contratempo; em Berlim entra em contato com a obra grandiosa de Goethe, sobre a qual escrevera mais tarde um estudo com que ganhara um dos mais cobiçados prêmios da Europa. Mas é em Estrasburgo que pretende firmar-se como professor.

Em março de 1902, na Faculdade de Teologia de Estrasburgo, pronunciou uma aula inaugural sobre o Prólogo do Evangelho de São João, e logo depois foi nomeado diretor do seminário protestante. Parecia chegar ao termo de suas ascensões a vida de Albert Schweitzer. Que mais poderia desejar? Que cargo mais alto e mais honroso podia pretender naquele tempo e naquele mundo europeu, um homem que amava a Bíblia, a Música e de um modo geral a cultura?

Lá na parede de seu aposento, entretanto, brilhavam aquelas estrofes:

                           Toujours plus haut! (Sempre mais alto)

O coração de Albert Schweitzer, nessa época de realizações, falava-lhe de outros modos de subir... ou melhor, gemia: “Minha mocidade correu particularmente feliz. Eu me sentia esmagado... e a mim mesmo perguntava se tinha direito...”

No seu coração ruminava uma idéia que só brota, floresce e frutifica nos corações generosos. A idéia que o Apostolo Paulo exprimiu neste fragmento: “Há mais alegria em dar do que em receber.”(Atos 20:35). Albert Schweitzer sentia o bem estar e o triunfo da carreira como quem sente o peso de um tesouro que lhe fora confiado, não para o seu próprio proveito, mas para o bem dos outros. Chegava aos trinta anos com um grande cabedal e agora se sentia no começo de uma vida nova. Tornou a encontrar Helena Bresslau, que também desejava consagrar-se a alguma obra para o bem dos outros. Conversavam muito de música, de teologia, de filosofia e literatura; mas certamente quando se calavam as bocas, os dois corações em uníssono continuavam a cantar:

 

                          “Toujours plus haut!

                            Toujours plus haut!”

 

Continua.

 

 

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sinto-me: ANGUSTIADA, MAS Ñ DESESPERADA
música: SECRETAMENTE
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