O JÚBILO DE QUEM AMA
28 de Novembro de 2009

 

 

 

A prevalência dos legados transmitidos por homens notáveis, além de elevar o nosso arcabouço teórico, favorecem as perspectivas otimistas de fatores sociais e culturais, levando-nos a crer na possibilidade de uma solução passiva para a humanidade.

 

Pressupõe-se que estas citações induzem a legitimação de normas inseridas no contexto da sociedade.

 

Rousseau não acreditava na individualidade. Tanto que, no seu momento de reflexão, ele criou o "Contrato Social" com uma leitura entre o estado e a sociedade. O cientista questiona a lei "natural" da desigualdade social, responsabilizando o estado pela educação de qualidade de todo cidadão, assim como preconiza que o estado é o guardião dos limites. Diferentemente de Luís XVI que dizia: "Eu sou o estado; o estado sou eu". Eis algumas citações transmitidas como legado de JEAN JACQUES ROUSSEAU. 

  

 

 

 

Não há nada que esteja menos sob o nosso domínio que o coração, e, longe de podermos comandá-lo, somos forçados a obedecer-lhe.

 

As boas ações elevam o espírito e predispõem-no a praticar outras.

 

A fingida caridade do rico não passa, da sua parte de mais um luxo; ele alimenta os pobres como a cães e cavalos.

 

Bastará nunca sermos injustos para estarmos sempre inocentes?

 

O homem verdadeiramente livre apenas quer o que pode e faz o que lhe agrada.

 

Morro aos poucos em todos aqueles que gostam de mim .

 

Para conhecer os homens, torna-se indispensável vê-los agir.

 

A espada gasta a bainha, costuma dizer-se. Eis o que aconteceu comigo. As minhas paixões fizeram-me viver, e as minhas paixões mataram-me.

 

Sou escravo pelos meus vícios e livre pelos meus remorsos.

 

A arte de interrogar é bem mais a arte dos mestres do que as dos discípulos; é preciso ter já aprendido muitas coisas para saber perguntar aquilo que se não sabe .

Uma das misérias das pessoas ricas é serem enganadas em tudo .

 

A juventude é a época de se estudar a sabedoria; a velhice é a época de a praticar .

 

De todos os animais, o homem é aquele a quem mais custa viver em rebanho.

 

Não há sujeição tão perfeita como aquela que conserva a aparência da liberdade; dessa forma, cativa-se a própria vontade .

 

A força fez os primeiros escravos, a sua covardia perpetuou-os .

 

A alma resiste muito mais facilmente às mais vivas dores do que à tristeza prolongada .

 

Todos os homens são úteis à humanidade pelo simples fato de existirem.

 

Quem cora já está culpado; a verdadeira inocência não tem vergonha de nada.

 

Devemos corar por havermos cometido uma falta, e não por a reparar .

 

Os homens dizem que a vida é curta, e eu vejo que eles se esforçam para a tornar assim .

 

 

A natureza fez o homem feliz e bom, mas a sociedade deprava-o e torna-o miserável

 

A espécie de felicidade que me falta, não é tanto fazer o que quero mas não fazer o que não quero

 

A natureza nunca nos engana; somos sempre nós que nos enganamos

 

As nossas paixões são os principais instrumentos da nossa conservação

 

Há um pequeno número de homens e mulheres que pensam por todos os outros, e para o qual todos os outros falam e agem

 
Em política, tal como na moral, é um grande mal não fazer bem, e todo o cidadão inútil deve ser considerado um homem pernicioso.
 
A falsidade é suscetível de uma infinidade de combinações; mas a verdade só tem uma maneira de ser.
 
A educação do homem começa no momento do seu nascimento; antes de falar, antes de entender, já se instrui.
 
Só se é curioso na proporção de quanto se é instruído.
 
Nunca se conseguirá ser sábio se primeiro não se foi traquinas.
 
Amo-me a mim próprio demasiado para poder odiar seja o que for
 
Tudo é bom quando sai das mãos do Autor das coisas, e tudo degenera entre as mãos do homem.
 
Conheço muito bem os homens para ignorar que muitas vezes o ofendido perdoa, mas o ofensor não perdoa jamais .
 
Povos livres, lembrai-vos desta máxima: A liberdade pode ser conquistada, mas nunca recuperada.
 
São a força e a liberdade que fazem os homens virtuosos. A fraqueza e a escravidão nunca fizeram nada além de pessoas más.
 
Fazer um homem feliz significa merecer sê-lo.
 
Pelos mesmos caminhos não se chega sempre aos mesmos fins.
 
Prefiro ser um homem de paradoxos que um homem de preconceitos.
 
Não há como a força do Estado para garantir a liberdade dos seus membros.
 
O povo, por ele próprio, quer sempre o bem, mas, por ele próprio, nem sempre o conhece.
 
Ninguém quer o bem público que não está de acordo com o seu.
 
Se é a razão que faz o homem, é o sentimento que o conduz.
 
As leis são sempre úteis aos que têm posses e nocivas aos que nada têm.
 
O homem nasceu livre e por toda a parte vive acorrentado. Um determinado indivíduo acredita-se senhor dos outros e não deixa de ser mais escravo do que eles.
 
A paciência é amarga, mas o seu fruto é doce.
 
Embora a memória e o raciocínio sejam duas faculdades essencialmente diferentes, uma só se desenvolve completamente com a outra.
 
É a lassidão da nossa vontade que constitui toda a nossa fraqueza, e sempre se é forte para fazer o que se quer com força.
 
Cada idade tem as suas inclinações, mas o homem é sempre o mesmo. Aos 10, é levado por doces, aos 20 por uma amante, aos 30 pelo prazer, aos 40 pela ambição, aos 50 pela avareza.
 
Louvar-se a si mesmo é ridículo; louvar os outros em demasia é perigoso.
 
O luxo corrompe tudo, tanto o opulento que se deleita com ele, como o pobre que o cobiça.
  

Fonte: www.citador.pt  

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22 de Novembro de 2009

  

 

 

 

Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) nasceu em Genebra, no dia vinte e oito de junho. Ele teve grandes influências de Paris e da França, mas se orgulhava de sua origem genebrina e de ser um cidadão dessa cidade. Os antepassados de Rousseau eram de origem francesa. Ele tinha respeito pela França. A família de Jean-Jacques era de relojoeiros. Possuíam pequena fortuna, eram pequenos burgueses. Eram religiosos protestantes Calvinistas O pai de Rousseau, Isaac, era despreocupado e instável, mesmo um pouco agressivo. Foi para Constantinopla, mas sua mulher, Suzanne, pediu para que voltasse. Jean foi concebido nessa época. Sua mãe morreu uma semana após o parto. Jean tinha um irmão desaparecido que não conheceu. Chamava-se François.
 
Suzanne, era de uma família mais importante que Isaac. Rousseau fala dela com emoção. Ela desenhava, cantava e lia. Foi de sua coleção de romances que Jean tirou a primeira parte de sua educação. Ele e o pai ficavam horas lendo depois da ceia. Depois de esgotado o acervo, foram para a biblioteca do avô, onde encontraram livros de leitura complexa. Rousseau gostou da literatura romana.
 
Isaac Rousseau teve um desentendimento com um capitão francês. Brigando com ele, foi preso, mas preferiu abandonar Genebra, em 1722. Isso tornou Rousseau quase órfão. Estava sendo criado por uma tia e uma empregada, além do pai. Ficou sob a tutela de um tio por parte da mãe, Bernard, que era casado com uma irmã de Isaac. Isaac tinha muitos irmãos.
 
Jean morou em Bossey por dois anos. Gostava da vida campestre e dos brinquedos. Ficou na casa de um pastor. Às vezes era castigado pela filha do pastor, Srta. Lambecier e sentia prazer nisso. Ela percebeu e começou a lhe tratar como menino grande. Mas em certa ocasião, Rousseau foi acusado de quebrar um pente e recebeu duro corretivo de outro. Bossey perdeu o encanto e Bernard o tirou daquela casa. Rousseau diz nas Confissões, autobiografia escrita no fim da vida, que passou dois ou três anos na casa do tio sem ocupação precisa. Relata os primeiros amores de forma fantasiosa. Com doze anos foi para Genebra. Empregaram-no como menino de recados. O tabelião dispensou-o do trabalho por inércia. Depois foi aprendiz de gravador. Por brincadeira falsificava medalhas e presenteava os amigos. Foi descoberto e punido Tornou-se temeroso, dissimulado e ladrão de pequenas coisas,como maçãs. Durante um ano, leu todos os livros de uma loja que os alugava.
 
Rousseau, aos dezesseis anos , ficava com os amigos nos arredores da cidade, que tinha portões. Perdeu o toque de recolher e encontrou os portões fechados por duas vezes, sendo punido por seu mestre. Na terceira, resolveu não voltar mais. Adorou os primeiros dias de liberdade. Encontrou muitas coisas novas, ajuda e amantes.
Foi para uma cidade perto de Genebra, onde se dirige ao cura de Confignon. Jantaram e conversaram, discordando. Rousseau cedeu. O cura encaminhou-o à senhora de Warens, em Annency. Se surpreendeu com a beleza dessa mulher, que tinha vinte e oito anos. Ela era separada e recebia pensão do rei. Ajudava os viajantes e desgraçados. Rousseau foi para Turim, mas voltaria a encontrar Louise Warens.
 
Em Turim entrou para o asilo do Espírito Santo, para tornar-se católico. Adquiriu repugnância pelo catolicismo. Saiu de lá e fez bico como gravador. Depois trabalhou escrevendo cartas para a condessa de Vercells, que estava doente. Passou três meses nessa casa, até a condessa falecer. Rousseau afirma que às vezes ele era um herói, às vezes um patife. Foi trabalhar na casa de um sobrinho da condessa, conde de La Rocque. Tomou lições de latim com um padre. Sob a influência de um amigo, aprontou várias na casa do conde e foi despedido. Partiu em viagem errante com Bâcle,o amigo. Rousseau queria reencontrar Louise, em Annency. Ele a chamava de mamãe. Ficou na casa de Louise, aos dezessete anos. Depois, tornou-se seminarista. O instrutor de Emílio foi inspirado nos vigários do seminário lazirista. Rousseau aprende música. Adora música, era uma de suas grandes paixões. Abandona o curso e voltou à Suiça
 
Viaja e passa por Genebra. Em Lyon, revê o pai. Em Lausanne tentou empregar-se como professor de música, com nome falso. Em Soleure, conheceu o embaixador da França. Viaja novamente em busca da Sra. de Warens. Volta a Lyon. Em 1742, foi novamente à capital francesa, levando um esquema de notação musical de sua autoria, além de uma comédia, uma ópera e originais de alguns poemas.  No ano seguinte, ocupou o cargo de secretário do embaixador francês em Veneza. Nessa época escreveu um ballet intitulado Les Muses Galantes (1745; As Musas Galantes), que foi encenado na òpera de Paris. De volta à França, tornou-se amigo de Diderot e Condillac e foi incumbido pelo primeiro de escrever os artigos sobre músicas para a Grande Encyclopédie. 
 
A Sra. de Warens tivera como primeiro amante o sr. Tavel, professor de filosofia. Ele a tornou uma mulher liberal e sem preconceitos. Quando Anet morreu, Rousseau teve de ocupar seu lugar na casa, sem possuir as mesmas qualificações.
 
Rousseau lê algumas obras de Voltaire, com quem ia polemizar mais tarde e gosta muito. Em 1737 assistiu a guerra civil de Genebra, guardando depois dolorosas recordações.

 

 

Começou a refletir sobre religião. Teve muita influência da Sra. de Warens nesse campo. Rousseau, com vinte e cinco anos dividiu a herança da mãe que passou a ter direito com Louise. Comprou livros e se dedicou ao estudo. Lê Leibniz, Locke, Malenbranche na filosofia. Estuda geometria, começando por Euclides. Formou um armazém de idéias dos autores, na esquematização do conhecimento adquirido. à tarde , estudava história e geografia.
Mas sua saúde piorava. Viajou para tratar do que acreditava ser uma doença no coração. No caminho viu a peça Alzire, de Voltaire, que o deixou mais doente. Teve um caso com a Sra. Larnage, que era casada. Esqueceu Louise. Quando voltou para vê-la, ela estava com outro jovem. Depois de um período, partiu para Charmettes, pois sua relação com Louise havia se tornado fria e ela se tornou apenas a “mamãe” mesmo.
Virou preceptor dos dois filhos do Sr. de Mably, em Lion, em 1740.Foi mal sucedido.Os alunos não aprendiam e ele não sabia ensinar. Pediu demissão. Elaborou um novo método de notação musical, que levou a Paris. Tinha algumas cartas de apresentação. Conhece Diderot. Consegue chegar na Academia e apresenta seu método. A academia apresenta objeções, dizendo não ser novo nem útil. Conhece Fontenelle. Diderot também era músico, além de filósofo e ficaram amigos. Diderot tinha aproximadamente a mesma idade de Rousseau. Rousseau se apaixona pela Sra. Dupon, mas não se declara. Só o faz por carta, encontrando frieza. Compõe uma ópera, mas não leva adiante o projeto. Viaja pela Europa e passa por Veneza, onde tem a idéia de escrever uma obra política. Visita o pai. Ocupa-se como professor de Thérese. Termina a ópera obtendo um sucesso moderado. Volta a Paris.
Diderot e d’Alember haviam começado o dicionário Enciclopédico, que era inspirado na Enciclopédia inglesa, e procuravam colaboradores. Rousseau redigiu toda a parte musical sem receber nada. Diderot enfrenta complicações por causa da sua Carta sobre os cegos e é preso..
 
Em 1745, Rousseau uniu-se a Thérese le Vasseur, uma criada de hotel, e com ela viveu tempestuosamente até o fim de seus dias (casaram-se em 1768).
Em 1749, Rousseau fica sabendo de um mote proposto pela Academia de Dijon, com o ensaio Discours sur les sciences El lês arts (1750): Discursos sobre as Ciências e as Artes). Dois anos mais tarde, teve uma de suas comédias, Narcisse (1753; Narciso), representada no Théàtre Français. Publicou sua Lettre sur La musique française (Carta sobre a Música Francesa), em que procura demonstrar a superioridade da música italiana em relação à da França. Cidadão de Genebra e calvinista (1754), publica o Discours sur l’origine de l’inégalité parmi lês hommes (1755: Discurso sobre a Origem da desigualdade dos homens) e o Discours sur l’ economie politique (1755: Discurso sobre a economia política).
 
Transferiu-se depois para uma vivenda próxima a Montmorency e aí começou a trabalhar em seu romance Julie ou La Nouvelle Hélóise (1761: Júlia ou Nova Heloisa), que alcançou enorme repercussão. No ano seguinte, fez publicar Du Contrat Social (1762: Contrato Social), sua obra fundamental, em que formula uma teoria do Estado, baseado na convenção entre os homens em que defende o principio da soberania popular. Émile (1762; Emílio ou da educação), longo estudo sobre educação, em forma de romance, veio à luz logo em seguida.
 
Essas duas obras, que contém violenta crítica ao cristianismo dogmático e ao ceptismo filosófico, foram consideradas ofensivas à autoridade. Para evitar a execução de uma ordem de prisão contra ele expedida. Rousseau viu-se forçado a deixar a França, refugiando-se no território Neuchátel. Aí escreveu suas célebres Castas escritas das Montanhas (1764), em que ataca o governo de Genebra, por ter determinado a destruição das edições do Contrato Social e do Émile. Em 1764, recebeu um panfleto anônimo intitulado Le Sentiment dês citoyens (O sentimento dos cidadãos), em que o acusavam de hipócrita e ingrato. O artigo era de autoria de Voltaire e o conhecimento deste fato abalou profundamente a Rousseau que, ao refazer-se do choque, decidiu escrever sua autobiografia, as Confissões (1782: Confissões).
 
Em 1770 voltou a Paris e tentou por todos os modos justificar suas idéias. Durante os dois últimos anos de vida, encontrou maior tranqüilidade de espírito, escrevendo então a mais delicada de suas obras, Rèveries Du promeneur solitare (1783: Devaneios do Caminhante Solitário), livro impregnado de profundas reflexões sobre a natureza do homem. Em maio de 1778, mudou-se para um pavilhão na propriedade do marquês René de Girardin, onde faleceu subitamente, seis semanas mais tarde. Foi sepultado na LLe dês Peupliers, no lado de Ermenonville, mas durante os anos sangrentos da Revolução Francesa, seus restos foram removidos para o Panthéon, em Paris.
 
As idéias contidas no conjunto da obra de Rousseau tiveram grande influência revolucionária, pois expressavam as injustiças da sociedade da época. No plano das ciências sociais, suas ideias apresentam certa afinidade com o pensamento de Montesquieu. Sua concepção de liberdade encontra paralelo na de Kant. Além de pensador e filósofo, Rousseau foi um dos maiores escritores do seu tempo.
 
 

Fonte: www.aconsciencia.com

           Enciclopédia Barsa

 

 

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01 de Novembro de 2009

 

 

 

 

 

Assim como Mozart, considerado o gênio da música que iniciou as suas composições aos cinco anos de idade, a genialidade precoce no mundo da música clássica foi um marco com o surgimento de Chopin, sobretudo por seu estilo singular e a sua fragilidade física.
 
Nascido em 22 de fevereiro 1810, na pequena cidade polonesa de Zelazowa Wola, Frederic Franciszek revelou-se um menino prodígio ao compor e executar publicamente sua primeira obra musical aos oito anos de idade.

Conta-se que, antes mesmo de aprender a escrever, o garoto já tentara compor melodias. Aos 15 anos, era considerado pela crítica "o maior pianista de Varsóvia". Logo viu-se que sua arte não ficaria confinada à Polônia, cuja capital, naquele ano de 1830, estava prestes a ser invadida, saqueada e incendiada pelas tropas do czarismo russo.

Em Paris, ele encontrou fama e dinheiro. E, a partir daí, Frederic Franciszek Chopin passou a ser conhecido como Frédéric François Chopin --ou, simplesmente, Chopin. Rapidamente ficou famoso e ganhar muito dinheiro. Assim como ele ganhava, também gastava muito rápido.
 
O compositor alemão Robert Schumman elogiou Frederic Franciszek Chopin, então um jovem polonês de apenas 20 anos, tuberculoso e muito tímido, que resolvera trocar a provinciana Varsóvia pelas luzes da sofisticada Paris. O elogio derramado de Schumann não era à toa.

Enquanto dava aulas de piano aos filhos e esposas dos parisienses mais abastados, fez contato com futuros mestres do mundo musical da época, a exemplo de Liszt e Berlioz. Passou a vestir-se impecavelmente: roupas de linho branco importado, lenços de seda no pescoço, capas pretas e sobrecasacas encomendadas aos melhores alfaiates da França. Andava em um cabriolé próprio, contratou um cocheiro e meia dúzia de criados. "Se eu fosse mais tolo do que sou, acreditaria ter chegado ao topo de minha carreira", escreveu ao pai, Nicholas Chopin, professor de francês e literatura no Liceu de Varsóvia.

O rapaz estava certo. Ele iria ainda bem mais longe em sua promissora carreira. Ao lado de seu inegável talento, a saúde frágil, os modos aristocráticos e o comportamento reservado ajudaram-lhe a consolidar a imagem de "gênio esquivo" entre seus pares. Um caso de amor platônico e um romance proibido contribuíram para que Chopin mergulhasse em um estado permanente de melancolia profunda, traço de personalidade que para sempre seria sua marca registrada.

Em 1829, seus olhos azuis-cinzentos se depararam com os de Constância Gladkowska, uma estudante de canto do Conservatório de Varsóvia. Foi uma paixão fulminante, mas Chopin jamais teve coragem de declarar-se a ela. Mais adiante, conseguiu pedir a mão de outra moça, Maria Wodzinska, uma polonesa que conhecera na infância e reencontrara em Paris. O namoro não seguiu adiante por determinação expressa da mãe da jovem, que não queria vê-la casada com um "pianistazinho tuberculoso". As cartas que enviara à amada foram providencialmente devolvidas. Chopin as guardou em um único envelope, no qual escreveu: "Moja bieda" ("Meu sofrimento").

A introspecção de Chopin refletia-se também em seu modo singular de apresentar-se ao piano, ao ponto de ele ser censurado por alguns críticos da época, que consideravam "fraca" e "com pouco volume" a sonoridade que o músico extraía do instrumento. Berlioz foi um dos primeiros a chamar a atenção para o fato de que, com isso, na verdade, Chopin inaugurava um novo estilo de tocar, mais intimista que o habitual. "Chopin executa suas composições com extrema doçura, com pianíssimos delicados, os martelos tocando de leve nas cordas, de tal maneira que somos tentados a nos aproximar do instrumento para prestar atenção, como faríamos ao ouvir um concerto de silfos ou de duendes", escreveu Berlioz.

Depois do caso de amor fracassado com Wodzinska, Chopin acabou unindo-se, em 1838, com a controvertida escritora Aurore Dupin, que assinava seus escritos com o pseudônimo masculino de George Sand. Os dois formaram um casal singular. Ele, esquivo e doente. Ela, oito anos mais velha, expansiva, divorciada, dona de uma legião de amantes, escandalizava a sociedade da época por seus livros ousados, seu hábito de fumar charutos em público, suas idéias socialistas e suas roupas de homem. "Como mulher, é um belo rapaz", definiu-a certa feita o poeta Alfredo Vigny. A despeito das diferenças evidentes, Chopin e Sand permaneceram juntos por cerca de dez anos. Houve inclusive quem insinuasse que Chopin, de ar quase afeminado, encontrara seu par perfeito.

Logo no início da relação, o casal decidiu abandonar Paris e refugiar-se em Palma de Mallorca, no litoral da Espanha, onde julgavam escapar da curiosidade pública e, ao mesmo tempo, encontrar melhores condições climáticas para cuidar da saúde abalada de Chopin. Não foi, porém, uma escolha feliz. A umidade local provocou uma série interminável de hemoptises (expectoração de sangue dos pulmões) no compositor, que um ano depois resolveu retornar a Paris, mais cansado do que partira. A união tumultuada entre o músico e a escritora foi rompida em 1846, após uma longa sucessão de crises mútuas de ciúmes. A experiência do casamento rendeu a ela a publicação do folhetim Lucrezia Floriani, no qual é impossível não identificar um dos personagens, Karol, um príncipe neurastênico e tuberculoso, com o próprio Chopin.

Frédéric Chopin morreu em 17 de outubro de 1849, solitário e endividado, com apenas 39 anos, em seu apartamento em Paris. Havia deixado de compor desde o ano anterior e, insatisfeito com sua produção mais recente, chegara a destruir várias partituras inéditas. Antes do sepultamento, os amigos atenderam-lhe o último pedido, rabiscado em um papel, na véspera da morte: seu corpo deveria ser aberto e o coração extirpado. Isso porque o maior temor de Chopin sempre fora o de sofrer uma crise de catalepsia (doença que faz com que pessoas vivas pareçam temporariamente mortas) e ser enterrado vivo.
Fonte: Coleção Folha de Música Clássica

 

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