O JÚBILO DE QUEM AMA
01 de Novembro de 2009

 

 

 

 

 

Assim como Mozart, considerado o gênio da música que iniciou as suas composições aos cinco anos de idade, a genialidade precoce no mundo da música clássica foi um marco com o surgimento de Chopin, sobretudo por seu estilo singular e a sua fragilidade física.
 
Nascido em 22 de fevereiro 1810, na pequena cidade polonesa de Zelazowa Wola, Frederic Franciszek revelou-se um menino prodígio ao compor e executar publicamente sua primeira obra musical aos oito anos de idade.

Conta-se que, antes mesmo de aprender a escrever, o garoto já tentara compor melodias. Aos 15 anos, era considerado pela crítica "o maior pianista de Varsóvia". Logo viu-se que sua arte não ficaria confinada à Polônia, cuja capital, naquele ano de 1830, estava prestes a ser invadida, saqueada e incendiada pelas tropas do czarismo russo.

Em Paris, ele encontrou fama e dinheiro. E, a partir daí, Frederic Franciszek Chopin passou a ser conhecido como Frédéric François Chopin --ou, simplesmente, Chopin. Rapidamente ficou famoso e ganhar muito dinheiro. Assim como ele ganhava, também gastava muito rápido.
 
O compositor alemão Robert Schumman elogiou Frederic Franciszek Chopin, então um jovem polonês de apenas 20 anos, tuberculoso e muito tímido, que resolvera trocar a provinciana Varsóvia pelas luzes da sofisticada Paris. O elogio derramado de Schumann não era à toa.

Enquanto dava aulas de piano aos filhos e esposas dos parisienses mais abastados, fez contato com futuros mestres do mundo musical da época, a exemplo de Liszt e Berlioz. Passou a vestir-se impecavelmente: roupas de linho branco importado, lenços de seda no pescoço, capas pretas e sobrecasacas encomendadas aos melhores alfaiates da França. Andava em um cabriolé próprio, contratou um cocheiro e meia dúzia de criados. "Se eu fosse mais tolo do que sou, acreditaria ter chegado ao topo de minha carreira", escreveu ao pai, Nicholas Chopin, professor de francês e literatura no Liceu de Varsóvia.

O rapaz estava certo. Ele iria ainda bem mais longe em sua promissora carreira. Ao lado de seu inegável talento, a saúde frágil, os modos aristocráticos e o comportamento reservado ajudaram-lhe a consolidar a imagem de "gênio esquivo" entre seus pares. Um caso de amor platônico e um romance proibido contribuíram para que Chopin mergulhasse em um estado permanente de melancolia profunda, traço de personalidade que para sempre seria sua marca registrada.

Em 1829, seus olhos azuis-cinzentos se depararam com os de Constância Gladkowska, uma estudante de canto do Conservatório de Varsóvia. Foi uma paixão fulminante, mas Chopin jamais teve coragem de declarar-se a ela. Mais adiante, conseguiu pedir a mão de outra moça, Maria Wodzinska, uma polonesa que conhecera na infância e reencontrara em Paris. O namoro não seguiu adiante por determinação expressa da mãe da jovem, que não queria vê-la casada com um "pianistazinho tuberculoso". As cartas que enviara à amada foram providencialmente devolvidas. Chopin as guardou em um único envelope, no qual escreveu: "Moja bieda" ("Meu sofrimento").

A introspecção de Chopin refletia-se também em seu modo singular de apresentar-se ao piano, ao ponto de ele ser censurado por alguns críticos da época, que consideravam "fraca" e "com pouco volume" a sonoridade que o músico extraía do instrumento. Berlioz foi um dos primeiros a chamar a atenção para o fato de que, com isso, na verdade, Chopin inaugurava um novo estilo de tocar, mais intimista que o habitual. "Chopin executa suas composições com extrema doçura, com pianíssimos delicados, os martelos tocando de leve nas cordas, de tal maneira que somos tentados a nos aproximar do instrumento para prestar atenção, como faríamos ao ouvir um concerto de silfos ou de duendes", escreveu Berlioz.

Depois do caso de amor fracassado com Wodzinska, Chopin acabou unindo-se, em 1838, com a controvertida escritora Aurore Dupin, que assinava seus escritos com o pseudônimo masculino de George Sand. Os dois formaram um casal singular. Ele, esquivo e doente. Ela, oito anos mais velha, expansiva, divorciada, dona de uma legião de amantes, escandalizava a sociedade da época por seus livros ousados, seu hábito de fumar charutos em público, suas idéias socialistas e suas roupas de homem. "Como mulher, é um belo rapaz", definiu-a certa feita o poeta Alfredo Vigny. A despeito das diferenças evidentes, Chopin e Sand permaneceram juntos por cerca de dez anos. Houve inclusive quem insinuasse que Chopin, de ar quase afeminado, encontrara seu par perfeito.

Logo no início da relação, o casal decidiu abandonar Paris e refugiar-se em Palma de Mallorca, no litoral da Espanha, onde julgavam escapar da curiosidade pública e, ao mesmo tempo, encontrar melhores condições climáticas para cuidar da saúde abalada de Chopin. Não foi, porém, uma escolha feliz. A umidade local provocou uma série interminável de hemoptises (expectoração de sangue dos pulmões) no compositor, que um ano depois resolveu retornar a Paris, mais cansado do que partira. A união tumultuada entre o músico e a escritora foi rompida em 1846, após uma longa sucessão de crises mútuas de ciúmes. A experiência do casamento rendeu a ela a publicação do folhetim Lucrezia Floriani, no qual é impossível não identificar um dos personagens, Karol, um príncipe neurastênico e tuberculoso, com o próprio Chopin.

Frédéric Chopin morreu em 17 de outubro de 1849, solitário e endividado, com apenas 39 anos, em seu apartamento em Paris. Havia deixado de compor desde o ano anterior e, insatisfeito com sua produção mais recente, chegara a destruir várias partituras inéditas. Antes do sepultamento, os amigos atenderam-lhe o último pedido, rabiscado em um papel, na véspera da morte: seu corpo deveria ser aberto e o coração extirpado. Isso porque o maior temor de Chopin sempre fora o de sofrer uma crise de catalepsia (doença que faz com que pessoas vivas pareçam temporariamente mortas) e ser enterrado vivo.
Fonte: Coleção Folha de Música Clássica

 

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17 de Agosto de 2009

 

 

 

 

Nono filho de Carlos de Paula Andrade e Julieta Augusta, uma família em decadência (Drummond de Andrade), Carlos Drummond de Andrade nasce na cidade mineira de Itabira do Mato Dentro em 1902 ",  Estudou na cidade natal, em Belo Horizonte e com os jesuítas no Colégio Anchieta de Nova Friburgo RJ, de onde foi expulso por "insubordinação mental" após um incidente com o professor de português e volta para Belo Horizonte. De novo em Belo Horizonte, começou a carreira de escritor como colaborador do Diário de Minas, que aglutinava os adeptos locais do incipiente movimento modernista mineiro.

Ante a insistência familiar para que obtivesse um diploma, formou-se em farmácia na cidade de Ouro Preto em 1925, sem exercer a profissão e casa-se com Dolores Dutra de Morais.

No mesmo ano, fundou com outros escritores A Revista, que, apesar da vida breve, foi importante veículo de afirmação do modernismo em Minas. No ano seguinte, Drummond leciona geografia e português em Itabira e então muda outra vez para Belo Horizonte, a fim de ser redator-chefe do "Diário de Minas". Em 1927, ele e Dolores perdem o filho recém-nascido Ingressou no serviço público e, Em 1929, deixa o "Diário de Minas" para ser auxiliar de redação e depois redator no "Minas Gerais" (órgão oficial do Estado). Em 1930, publica "Alguma Poesia", seu primeiro livro, numa edição de 500 exemplares (paga por ele mesmo), e se torna redator de três jornais simultaneamente: o "Minas Gerais", o "Estado de Minas" e o "Diário da Tarde.  Em 1934, transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde foi chefe de gabinete de Gustavo Capanema, ministro da Educação,  até 1945 e publicou o seu  livro “Brejo das Almas” que obteve uma tiragem de 200 exemplares. Excelente funcionário, passou depois a trabalhar no Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e se aposentou em 1962. Desde 1954 colaborou como cronista no Correio da Manhã e, a partir do início de 1969, no Jornal do Brasil.

Predomínio da individualidade. O modernismo não chega a ser dominante nem mesmo nos primeiros livros de Drummond, Alguma poesia (1930) e Brejo das almas (1934), em que o poema-piada e a descontração sintática pareceriam revelar o contrário. A dominante é a individualidade do autor, poeta da ordem e da consolidação, ainda que sempre, e fecundamente, contraditórias. Torturado pelo passado, assombrado com o futuro, ele se detém num presente dilacerado por este e por aquele, testemunha lúcida de si mesmo e do transcurso dos homens, de um ponto de vista melancólico e cético. Mas, enquanto ironiza os costumes e a sociedade, asperamente satírico em seu amargor e desencanto, entrega-se com empenho e requinte construtivo à comunicação estética desse modo de ser e estar.

Vem daí o rigor, que beira a obsessão. O poeta trabalha sobretudo com o tempo, em sua cintilação cotidiana e subjetiva, no que destila do corrosivo, no que desmonta, dispersa, desarruma, do berço ao túmulo -- do indivíduo ou de uma cultura.

"Sentimento do Mundo" é publicado em 1940, com tiragem de 150 exemplares. "Poesias" sai dois anos depois, inclusive “JOSÉ” (1942), pela José Olympio Editora. Em 1944, Drummond lança "Confissões de Minas" e, em 1945, "A Rosa do Povo" e a novela "O Gerente". Também em 1945, deixa a chefia de gabinete de Capanema, tornando-se editor da “Imprensa Popular”, o jornal comunista de Luís Carlos Prestes. Meses depois, afasta-se por discordar da orientação do jornal. É então chamado para trabalhar no Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (DPHAN).

Apesar de exercer funções burocráticas até 1962 (quando se aposenta), o poeta se preocupa com a profissionalização do escritor e, sempre que possível, trabalha em prol dos companheiros de escrita.

Em 1948, lança "Poesia Até Agora". No mesmo ano, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, executa-se a obra "Poema de Itabira", de Heitor Villa-Lobos, inspirada pelo poema "Viagem na Família".

Drummond volta a escrever no "Minas Gerais" em 1949. Sua filha, Maria Julieta (que em 1946 publicou a novela "A Busca"), casa-se e muda para Buenos Aires. No ano seguinte, Drummond vai para a Argentina para o nascimento de Carlos Manuel, o primeiro neto. (Em 1953 e 1960, virão outros dois, Luis Mauricio e Pedro Augusto.)

Na década de 1950, uma sucessão de obras: "Claro Enigma", "Contos de Aprendiz", "A Mesa", "Passeios na Ilha", "Viola de Bolso", "Fazendeiro do Ar & Poesia até Agora", "Viola de Bolso Novamente Encordoada", "Fala, Amendoeira" e "Ciclo". Em 1953, ao estabilizar-se sua situação funcional na DPHAN, deixa o cargo de redator do "Minas Gerais". No ano seguinte, passa a publicar crônicas no "Correio da Manhã".

Nos anos 1960, seus livros foram lançados em Portugal, EUA, Alemanha, Suécia, Argentina e Tchecoslováquia. Nessa época, publica ainda "Lição de Coisas", "Antologia Poética", "A bolsa & a Vida", "Obra Completa", "Rio de Janeiro em Prosa & Verso" (em colaboração com Manuel Bandeira) e "Reunião (10 Livros de Poesia)". Seus temas são o indivíduo; a terra natal, a família e as vivências de menino; os amigos; o choque social e a violência humana; o amor; a própria poesia; a visão da existência. Há ainda os exercícios lúdicos.

Drummond também traduz obras de autores como Balzac, Laclos, Proust, García Lorca, Mauriac e Molière. Em 1963, colabora no programa "Vozes da Cidade" (Rádio Roquette Pinto) e inicia o programa "Cadeira de Balanço" (Rádio Ministério da Educação). E, em 1969, deixa o "Correio da Manhã" para escrever suas crônicas no "Jornal do Brasil".

Na década de 1970, publica "Caminhos de João Brandão", "Seleta em Prosa e Verso", "O Poder Ultrajovem", "As Impurezas do Branco", "Menino Antigo", "Amor, Amores", "A Visita", "Discurso de Primavera e Algumas Sombras" , "Os Dias Lindos", "70 Historinhas", "O Marginal Clorindo Gato" e "Esquecer Para Lembrar". Na primeira metade da década seguinte, sairão "Contos Plausíveis", "O Pipoqueiro da Esquina", "Amar Se Aprende Amando", "O Observador no Escritório" (memórias), "História de Dois Amores" (infantil) e "Amor, Sinal Estranho".

Em 1986, lança "Tempo, Vida, Poesia" e contribui com 21 poemas para "Bandeira, a Vida Inteira", edição comemorativa do centenário de Manuel Bandeira. No mesmo ano, sofre um infarto e fica 12 dias internado.

Em 31 de janeiro de 1987, escreve o derradeiro poema, "Elegia a um Tucano Morto", que integrará "Farewell", último livro organizado pelo poeta. No Carnaval do Rio, é homenageado pela Mangueira com o samba-enredo "No Reino das Palavras". Em 5 de agosto, após dois meses de internação, morre sua filha, Maria Julieta, vítima de um câncer. O poeta fica desolado: seu estado de saúde piora, e ele falece 12 dias depois, aos 85 anos, de problemas cardíacos. É enterrado no mesmo jazigo que Maria Julieta, no cemitério São João Batista (Rio de Janeiro).

"Eu não disse ao senhor que não sou senão poeta?", escreveu certa vez. E de fato, apesar do retraimento e do jeito avesso à publicidade, Carlos Drummond de Andrade era, dentro e fora do Brasil, uma espécie de personificação da poesia.

 

Drummond lançou-se ao encontro da história contemporânea e da experiência coletiva, participando, solidarizando-se social e politicamente, descobrindo na luta a explicitação de sua mais íntima apreensão para com a vida como um todo. A surpreendente sucessão de obras-primas, nesses livros, indica a plena maturidade do poeta, mantida sempre. Carlos Drummond de Andrade foi, é e será alvo de admiração irrestrita, tanto pela obra quanto pelo seu comportamento como escritor.

Depois da morte de Drummond, reuniu-se no livro O amor natural uma série de poemas eróticos mantidos em sigilo e que foram associados a um suposto caso extraconjugal mantido pelo poeta. Verdadeiro ou não o caso, interessa é que se trata de poemas bem audaciosos, em que se explora o aspecto físico do amor. Alguns verão pornografia nestes poemas; outros, o erotismo transformado em linguagem da melhor qualidade poética.

    Metalinguagem: a reflexão sobre o ato de escrever fez parte das preocupações do poeta.

    O tempo é um dos aspectos que concede unidade à poesia de Drummond: o tempo passado, o presente e o futuro como tema.

    Toda a trajetória do poeta - qualquer que seja o assunto tratado - marca-se por uma tentativa de conhecer-se a si mesmo e aos outros homens, através da volta ao passado, da adesão ao presente e da projeção num futuro possível.

    O passado renasce nas reminiscências da infância, da adolescência e da terra natal. A adesão ao presente concretiza-se quando o poeta se compromete com a sua realidade histórica (poesia social). O tempo futuro aparece na expectativa de um mundo melhor, resultante da cooperação entre todos os homens.

 

 

 

 

Na Revista de Antropofagia publicou, em 1928, o poema "No meio do caminho", que provocaria muito comentário.

No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho 
tinha uma pedra 
no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas. 
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.

    Muitos poemas de Drummond funcionam como denúncia da opressão que marcou o período da Segunda Grande Guerra. A temática social, resultante de uma visão dolorosa e penetrante da realidade, predomina em Sentimento do mundo (1940) e A rosa do povo (1945), obras que não fogem a uma tendência observável em todo o mundo, na época: a literatura comprometida com a denúncia da ascensão do nazi-fascismo.

    A consciência do tenso momento histórico produz a indagação filosófica sobre o sentido da vida, pergunta para a qual o poeta só encontra uma resposta pessimista.

    O passado ressurge muitas vezes na poesia de Drummond e sempre como antítese para uma realidade presente. A terra natal - ltabira - transforma-se então no símbolo da atmosfera cultural e afetiva vivida pelo poeta. Nos primeiros livros, a ironia predominava na observação desse passado; mais tarde, o que vale são as impressões gravadas na memória. Transformar essas impressões em poemas significa reinterpretar o passado com novos olhos. O tom agora é afetuoso, não mais irônico.

    Da análise de sua experiência individual, da convivência com outros homens e do momento histórico, resulta a constatação de que o ser humano luta sempre para sair do isolamento, da solidão. Neste contexto questiona-se a existência de Deus.

    Nos primeiros livros de Drummond, o amor merece tratamento irônico. Mais tarde, o poeta procura capturar a essência desse sentimento e só encontra - como Camões e outros - as contradições, que se revelam no antagonismo entre o definitivo e o passageiro, o prazer e a dor. No entanto, essas contradições não destituem o amor de sua condição de sentimento maior. A ausência do amor é a negação da própria vida. O amor-desejo, paixão, vai aparecer com mais freqüência nos últimos livros.

 

 

 

 

 

cleudf
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sinto-me: FELIZ COM JESUS
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01 de Agosto de 2009

 

 

 

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WILLIAM BUCK BAGBY
(1855-1939).
William Buck Bagby, foi missionário cristão pioneiro na implantação das missões batistas no Brasil e um dos principais colaboradores na luta pela liberdade religiosa em nosso país. Um pastor Batista norte-americano. 
Filho de James e Mary Franklin nasceu no Texas (USA) em 05 de Novembro de 1855. Aos oito anos mudou-se juntamente com sua família para Waco onde depois de cumprir seus estudos preliminares graduou-se em Teologia em 1875 sob orientação de Benajah H. Carroll. Foi consagrado ao ministério pastoral em 16 de março de 1879.
Aceitou a Cristo como seu Senhor e Salvador aos 12 anos de idade.
Formou-se na Universidade de Baylor com 20 anos de idade.
 
 Em 1880 Bagby casou-se com Ana Luther, em 21 de outubro de 1880, filha de John Luther, presidente da Baylor University.
Muitos fatores influenciaram a vinda dos Bagby´s para o Brasil, mas foi principalmente a determinação de um chamado missionário e um declarado amor pelo povo brasileiro que convenceram a Junta de Missões Batistas a enviar o casal ao Brasil onde anteriormente já havia sido palco de uma frustrada tentativa com o missionário Thomas Jefferson Bowen.
Bagby chegou ao Brasil, desembarcando no Rio de Janeiro em 1880 e rumaram ao interior do Estado de São Paulo, onde organizaram o primeiro trabalho batista em solo brasileiro na cidade de Santa Bárbara d’Oeste, uma colônia americana,  para atender aos imigrantes americanos que viviam nas cidades próximas e a comunidade como um todo. Depois de aprenderem à língua portuguesa no Seminário Presbiteriano de Campinas, uniram-se ao casal  Zacharias Clay Taylor e Kate Stevens Crawford Taylor, e o ex-padre Antônio Teixeira de Albuquerque e fundou a Primeira Igreja Batista Brasileira em Salvador, na Bahia, em 05 de Outubro de 1882, com cinco membros, havendo apenas um brasileiro, o ex-padre Antonio Teixeira Albuquerque. No ano seguinte, porém, o número chegou a 25 membros
O casal Bagby, durante quase 60 anos deu-se, e a tudo quanto possuía à causa de Cristo aqui: vida, talentos e filhos. Após dois anos na Bahia, o Dr. Bagby pensou haver chegado o tempo de “alongar as cordas”. A cidade do rio de janeiro, então, foi escolhida como seu novo lar e campo de evangelização. A primeira igreja batista do rio de janeiro foi organizada em 24 de agosto de 1884. No primeiro ano só houve doze batismos. Foi um começo difícil e o progresso era muito vagaroso. Todavia, mais tarde, o numero se multiplicou grandemente, dada à consagração desses poucos conversos. E a aptidão do Dr. William Buck Bagby era, inevitavelmente,  em conquistar e treinar outros.
 
Em 1884, Bagby implantou a Primeira Igreja Batista do Rio de Janeiro e em 1889 participou ativamente do processo de proclamação da Republica em nosso país, sendo inclusive um dos consultores na elaboração de nossa primeira constituição.
A Proclamação da Republica e a separação entre Igreja e Estado, não só facilitou, como também promovera o diálogo inter-religioso e a expansão do trabalho de Bagby no Brasil que aproveitou este período para a implantação de novos trabalhos, construção de escolas e igrejas, treinamento de novos ministros e principalmente engajando-se no auxílio e suporte ao alicerçamento do trabalho batista por todo o Brasil.
Em 1901, Bagby juntamente com sua esposa Ana, mudou-se para São Paulo onde organizaram varias igrejas entre elas a Primeira Igreja Batista de São Paulo, a Primeira Igreja Batista de Santos, a Primeira Igreja Batista de Perdizes e o Colégio Batista Brasileiro, marco histórico na cidade de São Paulo.
Ao chegar na cidade de São Paulo, William Bucky e Ana Luther Bagby, missionários americanos que fundaram o Colégio Batista Brasileiro, encontraram aqui uma realidade brasileira bem diferente da que estavam acostumados, depois de atuarem dois anos na Bahia e dezoito no Rio de Janeiro. Segundo recenseamento da época, São Paulo possuía 108 indústrias, sendo 70 estrangeiras e 38 brasileiras e vivia um tempo de riquezas e desenvolvimento.

A cidade começava a se iluminar. A inglesa Light and Power Company inaugurava a Usina Hidrelétrica do Parnaíba e substituía por lâmpadas elétricas a iluminação das ruas do Centro, que até então era feita por lâmpadas à querosene. O primeiro bonde havia sido inaugurado um ano antes. O novo meio de transporte provocava espanto e temor na população, embora as linhas se tornassem cada vez mais numerosas.

A família Bagby foi residir nas proximidades da recém-inaugurada Estação da Luz, na época uma das maiores e mais impressionantes obras arquitetônicas do mundo.
Participou da fundação da Convenção Batista Brasileira em 22 de junho de 1907 em Salvador, na Bahia.
 Depois de um intenso trabalho por mais de três décadas em todo o Brasil e América do Sul, William Buck Bagby, mudou-se para Porto Alegre, no Rio Grande do Sul onde trabalhou exaustivamente durante a última década de sua vida.
Faleceu aos 83 anos de idade, de Pneumonia, sendo sepultado em Porto Alegre. Sua esposa Anne Luther Bagby mudou-se para o Recife (onde morava sua filha Helen), onde faleceu com 83 anos, em 24 de dezembro de 1942
Os Bagby´s tiveram nove filhos dos quais cinco continuaram a obra missionária iniciada por seus pais desenvolvendo o trabalho cristão e lutando pela liberdade religiosa por toda a América do Sul.
Hoje os batistas são uma força entre os evangelistas do Brasil. Do amazonas ao rio grande do sul as igrejas batistas prosseguem disseminando as boas novas do Senhor Jesus. O trabalho centenário dos batistas brasileiros é motivo de gratidão a deus pelo muito que ele tem realizado no meio do seu povo. Bagby e Ana, o casal que ficará para sempre na memória dos batistas do Brasil.
Igrejas
Foi fundador e primeiro pastor das seguintes igrejas:
  • Primeira Igreja Batista Brasileira (Bahia) em 31 de agosto de 1882;
  • Primeira Igreja Batista do Rio de Janeiro em 24 de agosto de 1884;
  • Primeira Igreja Batista de Campos (Rio de Janeiro) em 1891;
  • Primeira Igreja Batista de Niterói (Rio de Janeiro) em 1892;
  • Primeira Igreja Batista de Juiz de Fora (Minas Gerais) em 1894;
  • Primeira Igreja Batista de Belo Horizonte (Minas Gerais), em 1896.

 
 
Fonte: http://www.malhete.com.br/Artigos/artigos.painel.asp?tp=148 

 

 

 

 

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sinto-me: TRISTE
música: CLÁSSICA
19 de Julho de 2009

 

 




Ele nasceu em 1833 em Hamburgo, umas das principais cidades portuárias da Alemanha. Filho de músico --o pai era contrabaixista e tocava em tavernas da cidade--, desde pequeno possuía dotes especiais para a arte. Aos sete anos, incentivado pela família, começou fazer aulas de piano. O talento do menino era tanto que, com apenas dez anos, realizou o primeiro concerto público com composições de Mozart e Beethoven.

Pouco tempo depois, começou a tocar nas noites com o pai. Foi neste período que se revelou como um homem bruto, extremamente grosseiro --zombava de todas as mulheres. Nesta mesma época, iniciou as aulas de composição e conheceu importantes nomes da música, como os violinistas Eduard Reményi e Joseph Joachim e os compositores Franz Liszt e Robert Schumann.

Durante um longo período, Brahms percorreu algumas cidades alemãs e dividiu o tempo morando nas residências de Joachim, em Hannover, e Schumann, em Dusseldorf.

Apenas com a morte de Schumann, ele finalmente decidiu arrumar um emprego. Passou a trabalhar como mestre de capela em Lippe-Detmond, uma pequena cidade germânica, onde ficou por pouco mais de um ano.

Em 1863, o compositor foi morar em Viena. É na capital austríaca que ele obtém sucesso e dedica-se exclusivamente à composição. O mérito de grande compositor chegou com a estréia do Réquiem alemão, em 1868.

Graças a essa obra, foi convidado para dirigir a Sociedade dos Amigos da Música, principal centro artístico da cidade. Brahms ficou à frente da instituição por cerca de três anos (de 1872 a 1875).

Mesmo já consagrado como importante compositor, recebeu o título de "sucessor de Beethoven" com a sua primeira sinfonia, em 1876. Pouco antes de morrer, depois de terminar o Quinteto de cordas op. 111 decidiu parar de compor -- inclusive deixou um testamento preparado. No entanto, voltou rapidamente à rotina de músico e escreveu inúmeras obras de câmara para clarinete.

 

 

Muitos dizem que Johannes Brahms dominou, junto a Richard Wagner, a música clássica da segunda metade do século 19. Um dos maiores nomes da cultura alemã, o compositor dedicou-se a quase todos os gêneros --exceto ópera e balé-- por meio do que acreditava ser realmente uma música pura. Talvez por isso seja tão difícil compreendê-lo.

Brahms considerava-se, orgulhosamente, um "pagão" por não acreditar em Deus. Manteve-se solteiro e dedicou a vida às viagens pela Europa, principalmente à Itália. Morreu aos 63 anos, de câncer no fígado, no dia 03 de abril de 1897.

Fonte: Coleção de Músicas Clássicas da Folha de São Paulo

 

 

 

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sinto-me: DECEPCIONADA
música: CLÁSSICA
02 de Julho de 2009

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Gladys Aylward nasceu em Londres em 24 de fevereiro de 1902. Ela trabalhou durante vários anos como uma criada de quarto e, em seguida, assistindo uma reunião, na qual o pregador falou sobre alguém que dedica sua vida ao serviço de Deus. Gladys respondeu à mensagem, e logo depois se convenceu de que ela foi chamada para pregar o Evangelho na China.. Embora forçada a praticar serviços domésticos em uma idade precoce, ela sempre teve uma ambição para ir ao exterior como uma missionária, e na idade de 26 anos estudou com grande determinação, a fim de ser preparada para o papel, tornando-se uma estagiária da China Inland Mission, só com o objetivo de ser avaliada pela instituição, porque a sua formação acadêmica era inadequada.
 
Ela trabalhou em outros postos de trabalho e juntou, numa forma de poupança, seu dinheiro. Então ela ouviu falar de uma velha missionária com 73 anos, Sra. Jeannie Lawson, que estava à procura de uma jovem mulher para ajudá-la em exercer seu trabalho. Gladys escreveu a Sra. Lawson se podia chegar à China e foi aceita. Ela não teve dinheiro suficiente para a tarifa do navio, mas tinha o suficiente para a tarifa do comboio e, por isso, em outubro de 1930 ela partiu de Londres, com seu passaporte, sua Bíblia, o seu bilhete, e dois dólares e nove centavos, para viajar para a China pela Trans - Siberian Railway, apesar do fato de que a China e a União Soviética estavam envolvidas em uma guerra não declarada. Ela chegou a Vladivostok e de lá rumou para o Japão e do Japão para Tientsin, e daí por trem, em seguida em ônibus, e, mula, para o interior da cidade Yangchen, na montanhosa província de Shansi, um pouco a sul de Pequim (Beijing). A maioria dos moradores tinha aversão aos europeus, com exceção da Sra. Lawson e agora Miss Aylward. Eles desconfiavam dos estrangeiros, e não estavam dispostos a ouvi-los.
 
Uma noite foi para Yangchen para observar as caravanas que transportavam carvão, algodão cru, vasos, ferro e mercadorias no prazo de seis semanas ou três meses de viagens. De repente, as duas mulheres tiveram a idéia de que a forma mais eficaz de pregação seria a criação de uma estalagem. O edifício em que viviam tinha sido uma pousada, e com um pouco de reparação poderia ser utilizada como um novo. Sempre as caravanas passavam próximo a que seria a pousada, quando uma caravana chegou próximo, Gladys, que se encontrava à espera do lado de fora, agarrou as rédeas da mula que transportava o chumbo, e descarregou em seu pátio. Foi com prazer, sabendo por experiência que, se o pátio fosse transformado em calçada, significaria descanso obrigatório aos condutores das caravanas, incluindo comida e água e descanso para a noite. As outras mulas pararam, e os condutores não tiveram outra escolha e permaneceram no local.  A eles foram dados boa comida e cama quente no preço normal, e as suas mulas eram bem cuidadas, e houve entretenimento gratuito à noite - histórias sobre um homem chamado Jesus. Após as primeiras semanas, Gladys não tinha mais necessidade para raptar clientes – o local se transformou em pousada por preferência.  Alguns se tornaram cristãos, e muitos deles (tanto cristãos e não cristãos) transmitiam as histórias,  mais ou menos com precisão para outros condutores em outras paragens ao longo das trilhas das caravanas.
 
 
Gladys praticava o idioma com os chineses dedicando a sua hora de cada dia, e foi se tornando fluente e confortável com isso. Gladys Aylward foi deixada para executar a missão sozinha, com o auxílio de um cristão chinês, Yang, o cozinheiro.
 
 Algumas semanas após a morte da Sra. Lawson, Miss Aylward reuniu com o mandarim de Yangchen. Ele chegou em uma cadeirinha, com uma impressionante escolta, e disse-lhe que o governo tinha decretado o fim da prática de footbinding.
(Nota: Entre a classe média e superior, que tinha sido durante séculos um costume que os pés da mulher deveriam ser embalados hermeticamente em ligaduras, desde a infância, para evitar que eles se tornassem cada vez maior. Assim, as mulheres tinham minúsculos pés, em que só podia andar com lentidão, em cambaleantes etapas, e que foram programados para serem extremamente graciosos).
 
O governo precisava de uma mulher-inspetora, para que inspecionasse a prática do footbinding (de modo que ela pudesse invadir os quartos das mulheres sem escândalo), com seus próprios pés, normais (de modo que ela pudesse viajar) , que patrulhasse o bairro a fim de aplicar o decreto. Foi logo claro para ambos que Gladys seria a única possível candidata para o trabalho, e ela aceitou, sabendo que ela teria inimagináveis oportunidades para difundir o Evangelho.
 
Durante o seu segundo ano em Yangchen, Gladys foi convocada pelo mandarim. Um motim tinha se formado na prisão masculina.  Ela chegou e constatou que foram condenados à prisão, e vários deles tinham sido mortos no pátio.  Os soldados tiveram medo de intervir. O diretor da prisão disse a Gladys, "Vá para o jardim e pare os motins." Ela disse: "Como posso fazer isso?"  O diretor disse, "Você foi pregar dizendo que aqueles que confiam em Cristo não têm nada a temer." Ela caminhou para o pátio e gritou: "Silêncio! Não ouço quando todos gritam de uma só vez. Escolha uma ou duas vozes, e deixe-me falar com eles." Os homens unanimente  escolheu um porta-voz.  Gladys falou com ele e, em seguida, saiu e disse ao diretor: "Você tem esses homens enfiados, em condições precárias, com a prisão lotada, com absolutamente nada para fazer. Não admira que fiquem tão nervosos e que haja disputas entre grupos e com isso logo formam motins. Tem de dar-lhes trabalho.  Além disso, disseram-me que você não fornece alimento para eles, para que eles apenas têm que enviá-los aos seus familiares. Não admira que luta por alimentos. Iremos criar teares para que eles possam tecer pano e ganhar dinheiro suficiente para comprar os seus próprios alimentos. "  Isto foi feito.  Não houve dinheiro para uma ampla reforma, mas alguns amigos do diretor doaram teares antigos, e uma pedra de amolar, para que os homens pudessem trabalhar.
 
As pessoas começaram a chamar Gladys Aylward "Ai-Weh-DEH", :, pinyin, que significa "Um virtuoso".
 
Pouco depois, ela viu uma mulher pela estrada, acompanhada por uma criança, coberta de feridas e obviamente sofrendo desnutrição grave, implorando por comida. Ela, satisfeita, soube que a mulher não era a mãe da criança, mas tinha raptado a criança e estava usando-o como um auxílio à sua mendicidade.  Ela comprou por nove centavos, a criança - uma menina de cerca de cinco anos. Um ano mais tarde, "Nove centavos" veio com um menino abandonado em estopa, dizendo: "Eu vou comer menos, para que ele possa ter alguma coisa." Assim Ai-Weh-DEH adquiriu um segundo órfão, "Menos".
 
Ela era uma visitante regular e bem-vinda ao palácio do mandarim, que achou a sua religião ridícula, mas sua conversa estimulante.
 
Em 1936, ela se tornou oficialmente uma cidadã chinês. Ela morava em frugally e vestia como as pessoas ao seu redor (como fizeram os missionários que chegou poucos anos depois de na vizinha cidade de Tsechow, David e Jean Davis e seu filho Murray, do País de Gales), e este foi um fator importante nos costumes, tornando a sua pregação eficaz.
 
Então veio a guerra.  Na Primavera de 1938, aviões japoneses bombardearam a cidade de Yangcheng, matando muitos e causando os sobreviventes a fugir para as montanhas. Cinco dias depois, o exército japonês ocupou Yangcheng, depois à esquerda e, em seguida, veio novamente, depois à esquerda. O Mandarim reuniu os sobreviventes e disse-lhes: “Retirem para as montanhas durante o período”.  Ele também anunciou que ele ficou impressionado com a vida de Ai-Weh-DEH e desejava fazer dela a sua própria fé. Aí permaneceu a questão dos prisioneiros na prisão.  A tradicional política favoreceu decapitação todos eles com medo de que eles fugissem.  O Mandarim pediu a Ai-Weh-DEH um projeto de consultoria, e um plano foi feito para familiares e amigos dos condenados para postar um vínculo que garantiam o seu bom comportamento. Cada homem foi finalmente libertado em caução.
 
Como a guerra continuou, Gladys freqüentemente era encontrada sozinha  e muitas vezes sobre as informações, quando ela tinha, passava para os exércitos da China, que adotou como seu país.
 
Ela conheceu e tornaram-se amigos, de um padre católico romano da Europa que tinha até ligação com a “Lei Geral”  quando os japoneses invadiram e, agora, um guerrilheiro liderado.  Finalmente ele enviou-lhe uma mensagem. “Os japoneses estão chegando a pleno vigor. We are retreating. Estamos a recuar. Vem com a gente.” "Furiosa, ela escreveu uma nota chinês, Chi Tao Tu Pu Twai," cristãos nunca se retira!” Ele mandou de volta uma cópia do prospecto oferecendo a um japonês $ 100 cada um para a captura, vivo ou morto, de (1) o Mandarim (2), um proeminente mercante, e (3) Ai-Weh-DEH. Ela determinou a fugir para o governo no orfanato Sian, trazendo com ela as crianças que ela tinha acumulado cerca de 100 em série. (Um adicional tinha ido 100 avançar mais cedo, com um colega.) Com as crianças em atrelar, ela andou por doze dias. Algumas noites encontraram refúgio com amigáveis anfitriões. “Algumas noites passamos desprotegidos na montanha.”Pelo décimo segundo dia, eles chegaram ao Rio Amarelo, sem nenhuma maneira de atravessá-lo. Todo o tráfego de barcos tinha parado, e todos os barcos civis haviam sido apreendidos para mantê-los fora das mãos dos japoneses. As crianças queriam saber, "Porque não temos cruz?" Ela disse, "Não são barcos." "Eles disseram," Deus  não pode fazer nada?”  Pergunte a ele para nos transmitir. "Eles todos ajoelharam  e oraram. Em seguida, eles cantaram. Um funcionário chinês, com uma patrulha ouviram o canto e foram para cima. Ele ouviu a sua história e disse," Eu acho que posso te arranjar um barco. "Eles atravessaram, e após mais algumas dificuldades Ai-Weh-DEH-, os entregueou em mãos competentes em Sian e, em seguida, prontamente desmoronou com febre tifo e afundou em delírio por vários dias.
 
 
Como sua saúde gradualmente havia melhorado, ela começou uma igreja cristã em Sian, e trabalhava noutros locais, incluindo uma solução para leprosos no Szechuan, perto das fronteiras do Tibete. Sua saúde era permanentemente prejudicada por lesões recebidas durante a guerra, e em 1947 retornou à Inglaterra para uma operação. Ela permaneceu na Inglaterra, pregando lá.
 
Em 1957, Alan Burgess escreveu um livro sobre ela, A Pequena Mulher. Ela foi condensada em O Reader's Digest, e transformadas em um filme chamado A Pousada da Sexta Felicidade, com Ingrid Bergman. Quando a revista Newsweek revistou o filme, e resumiu o enredo, um leitor, admitindo a história de ser ficção, escreveu para dizer: "Para que um filme seja bom, a história deve ser credível!"
 
 
 
Miss Gladys Aylward, a Pequena Mulher, Ai-Weh-DEH, morreu em 3 de Janeiro de 1970.

 

 

 

cleudf
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sinto-me: solitária, mas ñ desamparada
música: Preciso lhe encontrar- Roberto Carlos
21 de Junho de 2009

 

 

 

CHARLES HODGE

Nasceu  na Filadélfia -Pensilvânia (1797 – 1878).  Caçula de uma família de cinco crianças, logo se encontrou com o infortúnio de ser órfão aos seis meses de idade.  A educação e cuidados infantis de todas as crianças recaíram sobre a mãe, Maria Blanchard, uma descendente de franceses Huguenots, o herdeiro de uma forte personagem e viver a sua religião, de exercer uma forte influência sobre o menor de seus filhos. Presbiteriana convertida, levantou a sua família na Fé de Westminster, que promete aos filhos e netos jamais se afastar.

Convertido na idade de 18 anos como conseqüência de um renascimento enquanto estudava em Princeton College em 1815, Charles matriculou-se no seminário em 1816, juntamente com outros vinte e seis alunos no âmbito da instrução dos únicos dois professores da época, Alexander e Miller. Hodge tornou-se um fiel discípulo de Alexander, pode-se dizer que ele aprendeu tudo: um sólido conhecimento do calvinismo acoplado com uma evangélica fervorosa espiritualidade, juntamente com uma rigorosa adaptação da filosofia escocesa do senso comum. Continuou  no seminário até o final.  

 Formado a 28 de setembro de 1819, recebeu um mês depois, a licença de pregar o Evangelho. Sentiu como se um fogo queimasse em seu peito: a salvação das almas e à propagação da sã doutrina.  Então, quando ele foi sugerido como um professor assistente de Literatura e exegese bíblica no seminário que acabara graduado, ele rejeitou a oferta porque ele não teve maior privilégio do que pregar o Evangelho.  Podemos constatar isso porque a sua merecida reputação como um teólogo sistemático tende a cancelar seus muitos outros méritos como um homem da Igreja.  Além das suas volumosas teologias sistemáticas apareceu perto do fim da sua vida, fruto maduro de uma vida de ação e de serviço ao povo de Deus.  Em seu próprio tempo, Hodge era admirado por muitos e através do evangelho conquistou muitos outros, principalmente  aqueles que ele ganhou com sua obra prima.

 Assim como vemos, em 1820 permaneceu em Princeton, ao lado de seus dois ex-professores, e Alexander Miller. Tal foi o efeito produzido sobre eles que recomenda à Assembléia da Igreja, como um professor regular.

 Em 1822 casou com Sarah Bache, um resultado direto de seu trabalho evangelístico, tendo sido convertida por um dos seus sermões. O casal feliz tem oito filhos.

Hodge gastou mais de meio século de sua vida ao ensino e à preparação dos candidatos para o ministério cristão.Calcula-se que cerca de 3.000 alunos já passaram por suas aulas durante estes cinquenta anos. Um dia foi comemorado este ato e todas as lojas e empresas fecharam as portas em Princeton, para expressar sua admiração e respeito pelo professor. Hodge ficou apenas ausente do seu ensino presencial, por um período de dois anos. Neste ínterim, ele usou para estudar em instituições na Europa. A motivação para esta etapa veio de sua crença sincera e insuficiente preparação em línguas bíblicas e orientais e bíblicas crítica, típica da teologia alemã . Assim, em 1826, o nome e a boa reputação do seminário e no interesse da sua própria formação teológica, ele decidiu ir à França e à Alemanha, para estudar com os melhores professores no domínio das ciências bíblicas. Na Alemanha, estudou a linguagem com o jovem George Müller (v.), mas ainda podia adivinhar o futuro líder dos Irmãos e fundador do famoso orfanato.Ele também teve a oportunidade de ouvir pregar FDE Schleiermacher (1768-1834), pai da moderna religiosa liberalismo.

 Hodge deu uma orientação científica definitiva para o seu trabalho teológico, no sentido de estudo rigoroso e bem articulado na melhor tradição da teologia cristã de todos os tempos.

 Não era apenas um teólogo em causa para pôr em ordem sistemática a uma multiplicidade de textos bíblicos sobre as diversas doutrinais verdades da fé cristã, também foi um comentarista insuperável.  Eles atestam a sua admirável opinião nas epístolas de Romanos, Efésios, 1 ª e 2 ª Coríntios. Eles revelam o minucioso erudito, o Sapientíssimo das línguas originais, o teólogo pode dar à luz os detalhes de seu plano, o pastor de almas, sempre ouve a voz do Mestre.

 Consumado o grande trabalho de sua vida com a publicação, em três volumes de sua Teologia Sistemática (1872), apenas seis anos antes de sua morte. Continua a ser o mais eficaz apresentação do calvinismo evangélico americano, de forma que ainda hoje continua a ser utilizado.  "Os problemas não parecem complicados nas mãos de Hodge escreve o pastor do Tabernáculo Metropolitano, em Londres, Peter Masters. Aqui, a teologia sistemática oferece um simpático sorriso."
 
 Ele faleceu em 19 de junho de 1878.
 

 

 

 

 

cleudf
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sinto-me: Triste
música: Clássica
13 de Junho de 2009

 

Parabéns Poeta!

 

 

 

 

 

Largo de São Carlos

 

 

Às três horas e vinte minutos da tarde de 13 de Junho de 1888 nascia em Lisboa Fernando Pessoa. O parto ocorreu no quarto andar esquerdo do n.º 4 do Largo de São Carlos, em frente à ópera de Lisboa (Teatro de São Carlos). De famílias da pequena aristocracia, pelos lados paterno e materno, o pai, Joaquim de Seabra Pessoa (38), natural de Lisboa, era funcionário público do Ministério da Justiça e crítico musical do «Diário de Notícias». A mãe, D. Maria Magdalena Pinheiro Nogueira Pessoa (26), era natural dos Açores (mais propriamente, da Ilha Terceira). Viviam com eles a avó Dionísia, doente mental, e duas criadas velhas, Joana e Emília.

É batizado em 21 de Julho na Basílica dos Mártires, ao Chiado. Os padrinhos são a Tia Anica (D. Ana Luísa Pinheiro Nogueira, sua tia materna) e o General Chaby. A razão por trás do nome Fernando Antonio encontra-se relacionada com Santo Antonio: a família reclamava uma ligação genealógica com Fernando de Bulhões, nome de batismo de Santo Antonio, tradicionalmente festejado em Lisboa a 13 de Junho, dia em que Fernando Pessoa nasceu.

As suas infância e adolescência foram marcadas por fatos que o influenciariam posteriormente. Às cinco horas da manhã de 24 de Julho de 1893, o pai morre com 43 anos, vítima de tuberculose. A morte é reportada no Diário de Notícias do dia. Fernando tinha apenas cinco anos. O irmão Jorge viria a falecer no ano seguinte, sem completar um ano. A mãe vê-se obrigada a leiloar parte da mobília e muda-se para uma casa mais modesta, o terceiro andar do n.º 104 da Rua de São Marçal. É também nesse período que surge o primeiro heterônimo de Fernando Pessoa, Chevalier de Pas, fato relatado pelo próprio a Adolfo Casais Monteiro, numa carta de 1935 em que fala extensamente sobre a origem dos heterônimos. Ainda no mesmo ano, escreve o primeiro poema, um verso curto com a infantil epígrafe de À Minha Querida Mamã. Sua mãe casa-se pela segunda vez em 1895 por procuração, na Igreja de São Mamede em Lisboa, com o comandante João Miguel Rosa, cônsul de Portugal em Durban (África do Sul), que havia conhecido um ano antes. Em África, Pessoa viria a demonstrar desde cedo talento para a literatura.

A mãe e o padrasto

 

Em razão do casamento, muda-se com a mãe e um tio-avô, Manuel Gualdino da Cunha, para Durban, onde passa a maior parte da juventude. Viajam no navio Funchal até à Madeira e depois no paquete Inglês Hawarden Castle até ao Cabo da Boa Esperança. Tendo de dividir a atenção da mãe com os filhos do casamento e com o padrasto, Pessoa isola-se, o que lhe propicia momentos de reflexão. Em Durban, estudou na escola Durban High School, uma escola somente para meninos e foi onde recebeu uma educação britânica, que lhe proporciona um profundo contato com a língua inglesa. Os seus primeiros textos e estudos são em inglês. Mantém contato com a literatura inglesa através de autores como Shakespeare, Edgar Allan Poe, John Milton, Lord Byron, John Keats, Percy Shelley, Alfred Tennyson, entre outros. O inglês teve grande destaque na sua vida, trabalhando com o idioma quando, mais tarde, se torna correspondente comercial em Lisboa, além de o utilizar em alguns dos seus textos e traduzir trabalhos de poetas ingleses, como O Corvo e Annabel Lee de Edgar Allan Poe. Com excepção de Mensagem, os únicos livros publicados em vida são os das coletâneas dos seus poemas ingleses: Antinous e 35 Sonnets e English Poems I - II e III, escritos entre 1918 e 1921.
 
 
 
 

Fernando Pessoa aos 6 anos 

Faz o curso primário na escola de freiras irlandesas da West Street, onde recebe a primeira comunhão e percorre em dois anos o equivalente a quatro. Em 1899 ingressa na Durban High School, onde permanecerá durante três anos e será um dos primeiros alunos da turma. No mesmo ano, cria o pseudônimo Alexander Search, através do qual envia cartas a si mesmo. No ano de 1901, é aprovado com distinção no primeiro exame Cape School High Examination e escreve os primeiros poemas em inglês. Na mesma altura, morre sua irmã Madalena Henriqueta, de dois anos. De férias, parte em 1901 com a família para Portugal. No navio em que viajam, o paquete König, vem o corpo da irmã. Em Lisboa, mora com a família em Pedrouços e depois na Avenida de D. Carlos I, n.º 109, 3.º Esquerdo. Na capital portuguesa, nasce João Maria, quarto filho do segundo casamento da mãe de Pessoa. Viaja com o padrasto, a mãe e os irmãos à Ilha Terceira, nos Açores, onde vive a família materna. Deslocam-se também a Tavira para visitar os parentes paternos. Nessa época, escreve o poema "Quando ela passa".
 
Fernando Pessoa permanece em Lisboa, enquanto todos — mãe, padrasto, irmãos e criada Paciência, que viera com eles — regressam a Durban. Volta sozinho para a África no vapor Herzog. Na mesma época, tenta escrever romances em inglês e matricula-se na Commercial School, frequentando o curso noturno enquanto de dia se ocupa com disciplinas humanísticas. Em 1903, candidata-se à Universidade do Cabo da Boa Esperança. Na prova de exame de admissão, não obtém boa classificação, mas tira a melhor nota entre os 899 candidatos no ensaio de estilo inglês. Recebe por isso o Queen Victoria Memorial Prize («Premio Rainha Vitória»). Um ano depois, ingressa novamente na Durban High School, onde frequenta o equivalente a um primeiro ano universitário. Aprofunda a sua cultura, lendo clássicos ingleses e latinos. Escreve poesia e prosa em inglês, surgindo os heterônimos Charles Robert Anon e H. M. F. Lecher. Nasce a sua irmã Maria Clara. Publica no jornal do liceu um ensaio crítico intitulado Macaulay. Por fim, encerra os seus bem sucedidos estudos na África do Sul com o «Intermediate Examination in Arts», na Universidade, obtendo uma boa classificação.
Retratado por João L. Roth
 
Deixando a família em Durban, regressa definitivamente à capital portuguesa, sozinho, em 1905. Passa a viver com a avó Dionísia e as duas tias na Rua da Bela Vista, n.º 17. A mãe e o padrasto regressam também a Lisboa, durante um período de férias de um ano em que Pessoa volta a morar com eles. Continua a produção de poemas em inglês e, em 1906, matricula-se no Curso Superior de Letras (atual Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa), que abandona sem sequer completar o primeiro ano. É nesta época que entra em contato com importantes escritores portugueses. Interessa-se pela obra de Cesário Verde e pelos sermões do Padre Antonio Vieira.
 
Em Agosto de 1907, morre a sua avó Dionísia, deixando-lhe uma pequena herança, com a qual monta uma pequena tipografia, na Rua da Conceição da Glória, 38-4.º, sob o nome de «Empreza Ibis — Typographica e Editora — Officinas a Vapor», que rapidamente faliu. A partir de 1908, dedica-se à tradução de correspondência comercial, uma atividade a que poderíamos dar o nome de "correspondente estrangeiro". Nessa profissão trabalha a vida toda, tendo uma modesta vida pública.
Inicia a sua atividade de ensaísta e crítico literário com o artigo «A Nova Poesia Portuguesa Sociologicamente Considerada», a que se seguiriam «Reincidindo...» e «A Nova Poesia Portuguesa no Seu Aspecto Psicológico» publicados em 1912 pela revista A Águia, órgão da Renascença Portuguesa.
 
Pessoa é internado no dia 29 de Novembro de 1935, no Hospital de São Luís dos Franceses, com diagnóstico de "cólica hepática", provavelmente uma colangite aguda causada por cálculo biliar e associada a cirrose hepática com origem no óbvio excesso de álcool ao longo da sua vida (a título de curiosidade: acredita-se que era muito fiel à aguardente "Águia Real"). Morre no dia 30 de Novembro, com 47 anos de idade. Nos últimos momentos de vida, pede os óculos e clama pelos seus heterônimos. A sua última frase foi escrita no idioma no qual foi educado, o Inglês: «I know not what tomorrow will bring» (Não sei o que o futuro trará).
 Legado
Pode-se dizer que a vida do poeta foi dedicada a criar e que, de tanto criar, criou outras vidas através dos seus heterônimos, o que foi a sua principal característica e motivo de interesse pela sua pessoa, aparentemente muito pacata. Alguns críticos questionam se Pessoa realmente teria transparecido o seu verdadeiro eu ou se tudo não teria passado de um produto, entre tantos, da sua vasta criação. Ao tratar de temas subjetivos e usar a heteronímia, torna-se enigmático ao extremo. Este fato é o que move grande parte das buscas para estudar a sua obra. O poeta e crítico brasileiro Frederico Barbosa declara que Fernando Pessoa foi "o enigma em pessoa". Escreveu sempre, desde o primeiro poema aos sete anos, até ao leito de morte. Importava-se com a intelectualidade do homem, e pode-se dizer que a sua vida foi uma constante divulgação da língua portuguesa: nas próprias palavras do heterônimo Bernardo Soares, "a minha pátria é a língua portuguesa". O mesmo empenho é patente no seguinte poema:
 
Tenho o dever de me fechar em casa no meu espírito e trabalhar
quanto possa e em tudo quanto possa, para o progresso da
civilização e o alargamento da consciência da humanidade

Analogamente a Pompeu, que disse que "navegar é preciso; viver não é preciso", Pessoa diz, no poema Navegar é Preciso, que "viver não é necessário; o que é necessário é criar". Outra interpretação comum deste poema diz respeito ao fato de a navegação ter resultado de uma atitude racionalista do mundo ocidental: a navegação exigiria uma precisão que a vida poderia dispensar.
O poeta mexicano Octavio Paz, laureado com o Nobel de Literatura, diz que "os poetas não têm biografia. A sua obra é a sua biografia" e que, no caso de Fernando Pessoa, "nada na sua vida é surpreendente — nada, exceto os seus poemas". No livro The Western Canon, o crítico literário estadunidense Harold Bloom considerou-o o mais representativo poeta do século XX, ao lado do chileno Pablo Neruda.
Na comemoração do centenário do nascimento de Pessoa, em 1988, o seu corpo foi trasladado para o Mosteiro dos Jerônimos, confirmando o reconhecimento que não teve em vida.
Último local de residência do poeta.
 
Fernando Pessoa possuía ligações ao ocultismo e ao misticismo, com destaque para a Maçonaria e a Rosa-Cruz (embora não se conheça qualquer filiação concreta em Loja ou Fraternidade dessas escolas de pensamento), havendo inclusive defendido publicamente as organizações iniciáticas, no Diário de Lisboa de 4 de fevereiro de 1935, contra ataques por parte da ditadura do Estado Novo. O seu poema hermético mais conhecido e apreciado entre os estudantes de esoterismo intitula-se "No Túmulo de Christian Rosenkreutz". Tinha o hábito de fazer consultas astrológicas para si mesmo (de acordo com a sua certidão de nascimento, nasceu às 15h20, tinha ascendente Escorpião e o Sol em Gémeos). Realizou mais de mil horóscopos.
 
Apreciava também o trabalho do famoso ocultista Aleister Crowley, tendo inclusive traduzido o poema Hino a Pã. Certa vez, lendo uma publicação inglesa de Crowley, encontrou erros no horóscopo e escreveu-lhe para o corrigir, pois era conhecedor e praticante de astrologia. Os seus conhecimentos impressionaram Crowley e, como este gostava de viagens, veio a Portugal conhecer o poeta. Acompanhou-o a maga alemã Miss Jaeger, que passou a escrever cartas a Fernando, assinadas com um pseudônimo ocultista. O encontro não foi muito amigável, dados os graves desequilíbrios psíquico e espiritual de que Crowley sofria (apesar disso, ainda ensinava).

 

Curiosidades
  • O professor universitário Armindo Freitas-Magalhães criou um inédito programa de literacia emocional, inspirado no verso de Fernando Pessoa "Se às Vezes as Flores Sorriem" (2009).
 
  • Numa tarde em que José Régio tinha combinado encontrar-se com Pessoa, este apareceu, como de costume, com algumas horas de atraso, declarando ser Álvaro de Campos e pedindo perdão por Pessoa não ter podido comparecer ao encontro.
  •  
  • Fernando Pessoa trabalhava como correspondente comercial, num sistema que hoje denominamos free lancer. Assim, podia trabalhar apenas dois dias por semana, dedicando os demais, exclusivamente, à sua grande paixão: a literatura.
  •  
  • A poetisa, professora e jornalista brasileira Cecília Meireles foi a Portugal em 1934, para proferir conferências na Universidade de Coimbra e na Universidade de Lisboa. Um grande desejo seu era conhecer o poeta, de quem se tinha tornado admiradora. Através de um dos escritórios para os quais Fernando Pessoa trabalhava, conseguiu comunicar com ele e marcar um encontro para o meio-dia, mas esperou inutilmente até às duas da tarde sem que Pessoa desse um ar da sua graça. De regresso ao hotel, Cecília teve a surpresa de encontrar um exemplar do livro Mensagem e um recado do misterioso poeta, justificando que não comparecera porque consultara os astros e, segundo o seu horóscopo, “os dois não eram para se encontrar”. Realmente, não se encontraram nem houve muito mais oportunidades para tal, pois no ano seguinte Fernando Pessoa faleceu.
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  • Pessoa media 1,73 m de altura, de acordo com o seu Bilhete de Identidade.
  •  
  • O assento de óbito de Pessoa indica como causa da morte "bloqueio intestinal".
  •  
  • A Universidade Fernando Pessoa (UFP), com sede no Porto, foi criada em homenagem ao poeta.
  •  
  • Fernando Pessoa é o primeiro português a figurar na Plêiade (Collection Bibliothèque de la Pléiade), prestigiada coleção francesa de grandes nomes da literatura.
  •  
  • Ofélia Queiroz, sua namorada, criou um heterônimo para Fernando Pessoa: Ferdinand Personne. "Ferdinand" é o equivalente a "Fernando" em alguns idiomas e "Personne" significa "ninguém" em francês, residindo a curiosidade deste trocadilho no fato de Fernando, por criar outras personalidades, não ter um eu definido.
  •  
  • Em Os Mal-Amados (2008), Fernando Dacosta relata uma conversa com Agostinho da Silva, que conhecera pessoalmente Fernando Pessoa em Dezembro de 1934. O poeta confidenciara-lhe, acabrunhado, que estava muito arrependido por ter escrito as cartas de amor a Ofélia. "Fizera-o movido pela sua irremediável fantasia heteronímica" (pg. 358), para saber como seria o romance entre um vulgar empregado de escritório e uma sua colega de trabalho, carente de afecto. Disfrutou o jogo durante algum tempo, mas, quando se apercebeu da monstruosidade da coisa, pôs fim ao romance fictício, para não fazer sofrer uma mulher real e apaixonada.
  •  
  • O cantor brasileiro Caetano Veloso compôs a canção "Língua", em que existe um trecho inspirado num artigo de Fernando sobre o tema "A minha pátria é a língua portuguesa". O trecho é: A língua é minha Pátria / E eu não tenho Pátria: tenho mátria / Eu quero frátria. Já o compositor Tom Jobim transformou o poema O Tejo é mais Belo em música. Identicamente, Vitor Ramil, cuja música "Noite de São João" tem como letra a poesia de Alberto Caeiro. A cantora Dulce Pontes musicalizou o poema O Infante. O grupo Secos e Molhados musicalizou a poesia "Não, não digas nada". Os portugueses Moonspell cantam no tema Opium um trecho da obra Opiário de Álvaro de Campos. O cantor Renato Braz traz no seu CD "Outro Quilombo" duas poesias musicadas: "Segue o teu destino", de Ricardo Reis, e "Na ribeira deste rio", de Fernando Pessoa.
  •  
  • O jornal Expresso e a empresa Unisys criaram, em 1987, o Prémio Pessoa, concedido anualmente à pessoa ou às pessoas de nacionalidade portuguesa que, durante o ano transcorrido e na sequência de actividade anterior, se tenham distinguido na vida científica, artística ou literária.
  •  
  • Em 2006, a empresa Unicre lançou um cartão de crédito intitulado "A palavra", onde o titular pode gravar, à escolha, uma de 6 frases de Fernando Pessoa ou dos seus heterônimos.

cleudf
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sinto-me: Decepcionada
música: Amor a Portugal
10 de Junho de 2009

 
 

 

  

 

Albert Schweitzer possuía um fantástico sentimento de solidariedade que lhe permitiu sentir a aflição dos outros. Chegando ao apogeu de sua carreira, parecia-lhe inconcebível a idéía de aceitar uma vida feliz e amena enquanto em volta de si muitos gemiam e sofriam. Foi numa manhã de verão de 1896, em Günsbach, que a alma de Schweitzer decidiu colocar-se a serviço dos outros. Perseguia-o as Palavras de Jesus: “Quem quer possuir a vida, perdê-la-á; quem por amor de Mim a perder, este a possuirá”.
 
Albert Schweitzer, por volta dos trinta anos, já tinha publicado um opúsculo sobre Eugen Münch, uma tese sobre a vida de Jesus, um estudo sobre a filosofia de Emanuel Kant, duas obras de vulto, uma em francês e outra em alemão, sobre J.S.Bach, e finalmente um livro sobre “A arte de construir órgãos e a arte de tocá-los”. Mas apesar de todos os seus altos estudos, Albert Schweitzer, sentia que, como homem civilizado, filho da região que bem podia ser apontada como centro de gravidade da cultura européia, ele sabia melhor do que ninguém que um livro bem feito é uma bênção para todos; sabia que a Teologia deve ser ensinada com competência; que a música de Bach deve ser bem compreendida e que os órgãos devem ser esmeradamente construídos. Alguma coisa dentro dele lhe dizia agora, na esquina dos trinta anos, que todos aqueles primores são vãos se o mundo não é fraterno. A impaciência de seu coração pedia obra mais direta.
 
Não distinguia bem qual seria a obra para a sua vida. Pensou primeiro em alguma atividade realizada na própria Europa; acolher crianças abandonadas com o objetivo de elas serem educadas com o mesmo ideal e ele procuraria obter delas o compromisso de mais tarde ajudarem outras crianças. Quando em 1903, passou a ocupar a direção do Instituto Teológico, ofereceu seus serviços, baseados nesta proposta e não obteve êxito. As organizações existentes de socorro à infância abandonada desconfiavam da perseverança do voluntário que se oferecia. Por incrível que pareça, mesmo após o incêndio do Orfanato de Estrasburgo, sua oferta de acolher provisoriamente algumas crianças não foi atendida.
 
Depois do insucesso da primeira atividade assistencial, ingressou num movimento organizado pelo pároco August Ernest, de Santo Tomás, que consistia em ajudar moradores de rua e ex-condenados, a fim de levá-los para o convívio, para a comunhão dos homens. Algumas vezes conseguiu prestar auxílio merecido e real, mas convenceu-se de que não era ainda esse o seu caminho.
 
Em 1904, Albert Schweitzer, encontrou um fascículo da Sociedade Missionária de Paris, folheando-o, seus olhos depararam com um título de um artigo: “As Necessidades da Missão do Congo” . E de repente, como se um relâmpago iluminasse a alma, Schweitzer tomou para si o chamado “A Igreja precisa de homens que respondam logo ao chamado do Senhor com estas palavras: Eis-me aqui, Senhor”. A partir deste momento Schweitzer tomou a resolução; ser médico na Missão africana.
 
“No dia 13 de outubro de 1905, uma sexta-feira, em Paris, coloqueis várias cartas numa caixa postal da Avenue de La Grande Armée, comunicando a meus pais, e alguns amigos mais próximos, a resolução de iniciar os estudos de medicina no princípio do semestre de inverno, para trabalhar como médico na África Equatorial. Numa das cartas, alegando a necessidade de me dedicar aos novos estudos, pedia demissão do meu cargo de diretor do Instituto Teológico de São Tomás”. Assim nos conta o próprio Albert Schweitzer em sua autobiografia.
 
Foi uma surpresa para todos, a decisão tomada por Albert. Seus amigos levantaram uma onda de protestos e recriminações, e o reitor e demais professores da Universidade de Estrasburgo balançavam a cabeça quando aludia ao caso. Uma das suas dificuldades foi a volta aos bancos escolares aos trinta e tantos anos, entre rapazes de dezoito. É fácil imaginar o isolamento em que viveu e certamente não faltaram gracejos, ironias, dirigidos pelos rapazes àquele homenzarrão taciturno e obstinado.
 
Seis anos! Durante esse período ele continuava realizando concertos e conferências em Paris. A sua relação de amizade com Helena Bresslau era mais freqüente e cada vez mais descobria a apatia que sentiam um pelo outro. Nesse tempo ela estudava enfermagem.
 
Formado em Medicina, Schweitzer achou ainda indispensável seguir em Paris um curso intensivo sobre doenças tropicais; e nesse meio tempo começou a angariar fundos para um hospital que sonhava construir em Lambarene, nas margens do rio Ogooue. Não procurou nenhum subsídio proveniente de qualquer instituição, nem quis nenhum auxílio do Estado. Queria realizar seu trabalho com absoluta independência, livre de compromissos e principalmente livre de qualquer ligação com a burocracia estatal. Recorreu a amigos, bateu em todas as portas, e antes de iniciar a aquisição do material necessário, tratou de obter o apoio e a permissão da Sociedade Missionária de Paris.
 
Antes de deixar a Europa, o Dr. Schweitzer apresentou sua tese, em que a Medicina e a Teologia se entrelaçavam: “Estudo psiquiátrico de Jesus. Exposição e crítica”
 

Em 1913 o Dr. Schweitzer casou-se com Helèné. E logo após, num domingo de Páscoa, os recém-casados embarcam no vapor “Europa”, em Bordéus, com destino à África Equatorial
(Gabão), onde construiu, nas margens do rio Ogoué, um hospital para doenças tropicais e a clínica para leprosos Lambaréné, que desenvolvia uma intensa atividade médica e missionária.

 

 

 

 

 Durante a Primeira Guerra Mundial, foi encarcerado pelas tropas francesas e, em 1924, regressou a Lambaréné. Recorrendo a conferências, a concertos de órgão (era um especialista em Bach) e aos dividendos obtidos com seus livros, conseguiu financiar as instalações. Schweitzer tornou-se uma figura lendária devido a sua atividade solitária. No campo teológico, dedicou-se à investigação sobre a vida de Jesus. Em 1951, recebeu o Prêmio da Paz outorgado pelos livreiros alemães e, em 1952, o Prêmio Nobel da Paz.

Em 1958 ele fez apelos na Rádio de Oslo para o abandono de testes nucleares. Durante toda sua vida, Schweitzer escreveu vários livros, dentre eles The Philosophy of Civilization, The Mystery of the Kingdom of God e Out of My Life and Thought, que consiste na sua autobiografia. Seu estudo Reverence for Life apresenta os fundamentos para o pensamento bioético.

 

 

 

Schweitzer morreu em quatro de setembro de 1965, em Lambarené.

 

 

 

Fonte: Schoolmaster- Enciclopédia de Pesquisas-Grandes vocações.

 

 

 

 

 

 

 

cleudf
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publicado por cleudf às 20:29 link do post
sinto-me: Feliz com Jesus
música: Clássica - Bach
04 de Junho de 2009

 

Desde a primeira infância, revelou-se a alma religiosa de Albert Schweitzer. O ambiente familiar e a tradição de duas ou três gerações vieram ao encontro do pendor natural e dos dons de Deus, e assim, sem hesitações, sem conflitos, a vida do menino se orientou desde cedo para o serviço religioso. Albert cresceu ouvindo na igreja os sermões de seu pai, e em casa, diariamente, conversas intermináveis sobre os evangelhos, histórias de missionários, entre as quais teve particular ressonância em seu coração a do alsaciano Casalis, que deixara todo o conforto europeu para ensinar os evangelhos aos negros africanos.

 

O ano de 1893, quando contava dezoito anos de idade, foi decisivo e rico em experiências. Numa viagem a Paris, teve o primeiro contato com Charles-Marie Widor, grande compositor e organista francês, ao qual ficará ligado por laços de gratidão e admiração para o resto da vida. Em outubro do mesmo ano conseguiu admissão no Colégio de Teologia de São Tomás, da Universidade de Estrasburgo. E é aí, nesse centro de intensa cultura, e na viagem que de vez em quando fará a Paris, que se desenvolve a vida cultural e religiosa de Albert Schweitzer. Nessa grande e famosa Universidade o tempo e as atividades do jovem Albert dividiam-se entre a Teologia, a Filosofia e a Música. Cada aluno do Colégio de São Tomás dispunha de um pequeno aposento, mobiliado com simplicidade e conforto, com uma janela aberta para o jardim. Por causa de seu talento já reconhecido, Albert dispunha de um órgão e de uma grande biblioteca de livros raros e preciosos que ele podia usar como se fossem seus. No seu quarto de estudante, Albert Schweitzer pendurou um quadro com as seguintes estrofes de uma canção, que até hoje estão no seu escritório em Günsbach, e que exprimem bem a norma de sua vida:

 

Toujours plus haut

Place on revê ou ton désir

L’idéal que tu veux server

Toujours plus haut!

 

Toujours plus haut!

Si, bien souvent, ton ciel se voile,

Que de ta foi brille l’étoile,

Toujours plus haut!

 

 

 

 

 

 

Em sua autobiografia, conta que teve certa dificuldade no estudo do hebraico, conseguindo no exame feito em fevereiro de 1894 uma penosa aprovação. Mas a deficiência que sentia da língua hebraica não o impedia de acompanhar com interesse o ciclo de aulas dadas por Heinrich Julius Holtzmann sobre os evangelhos de Mateus, Lucas e Marcos, chamados sinópticos.

A partir do dia 1º de abril de 1894 teve de fazer seu serviço militar. No outono do mesmo ano, tendo de partir para as manobras militares da região  de Hochfeldern, na Alsácia Inferior, enfiou na mochila o Novo Testamento, em grego, disposto a estudar a fundo os tais evangelhos sinópticos nas horas de folga.

Em 1896, teve a felicidade de assistir em Bayreuth, no famoso teatro construído sob indicações do próprio Wagner, à primeira reapresentação da coleção de óperas (tetralogia) cuja estréia datava de 1876. E foi no grupo de amigos dessa época e dessa excursão musical que conheceu Helena Bresslau, filha de um conhecido historiador e moça de gostos e paixões muito parecidas com as de Albert. Nessa época, aos vinte e um anos, Albert era um reputado organista e já se ia tornando um famoso teólogo e hmanista. Em 1898 terminou o curso na Universidade de Estrasburgo, ganhando uma bolsa de 1.200 marcos por ano, que lhe permitiu deslocar-se para Paris, onde passou a freqüentar cursos de Filosofia na Sorbone, e cursos de órgão com o mestre francês Widor. Sua vida cultural doravante oscilará entre Paris, Estrasburgo e Berlim. Esta alma tipicamente internacional realiza em si a pacífica fusão das culturas francesa e alemã. Em Paris se liga com Romain Roland, que seria seu grande amigo em tempo e contratempo; em Berlim entra em contato com a obra grandiosa de Goethe, sobre a qual escrevera mais tarde um estudo com que ganhara um dos mais cobiçados prêmios da Europa. Mas é em Estrasburgo que pretende firmar-se como professor.

Em março de 1902, na Faculdade de Teologia de Estrasburgo, pronunciou uma aula inaugural sobre o Prólogo do Evangelho de São João, e logo depois foi nomeado diretor do seminário protestante. Parecia chegar ao termo de suas ascensões a vida de Albert Schweitzer. Que mais poderia desejar? Que cargo mais alto e mais honroso podia pretender naquele tempo e naquele mundo europeu, um homem que amava a Bíblia, a Música e de um modo geral a cultura?

Lá na parede de seu aposento, entretanto, brilhavam aquelas estrofes:

                           Toujours plus haut! (Sempre mais alto)

O coração de Albert Schweitzer, nessa época de realizações, falava-lhe de outros modos de subir... ou melhor, gemia: “Minha mocidade correu particularmente feliz. Eu me sentia esmagado... e a mim mesmo perguntava se tinha direito...”

No seu coração ruminava uma idéia que só brota, floresce e frutifica nos corações generosos. A idéia que o Apostolo Paulo exprimiu neste fragmento: “Há mais alegria em dar do que em receber.”(Atos 20:35). Albert Schweitzer sentia o bem estar e o triunfo da carreira como quem sente o peso de um tesouro que lhe fora confiado, não para o seu próprio proveito, mas para o bem dos outros. Chegava aos trinta anos com um grande cabedal e agora se sentia no começo de uma vida nova. Tornou a encontrar Helena Bresslau, que também desejava consagrar-se a alguma obra para o bem dos outros. Conversavam muito de música, de teologia, de filosofia e literatura; mas certamente quando se calavam as bocas, os dois corações em uníssono continuavam a cantar:

 

                          “Toujours plus haut!

                            Toujours plus haut!”

 

Continua.

 

 

cleudf
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sinto-me: ANGUSTIADA, MAS Ñ DESESPERADA
música: SECRETAMENTE
30 de Maio de 2009

 

 

 

 

...Continuação

 

Infelizmente, o jovem professor de música de Albert, contrai numa epidemia, a febre tifóide, e morre na idade das esperanças, deixando seu discípulo profundamente magoado. Anos mais tarde, em 1898, o aluno agradecido escreve um pequeno livro de memórias intitulado “Eugen Münch”, e assim publica o seu primeiro livro. Nesse mesmo ano, graças à liberalidade do irmão mais velho de seu pai, instala-se em Paris e recebe lições do grande organista Charles-Marie Widor, que faz de Albert um exímio organista logo conhecido em toda a Europa.

Paralelamente à formação musical, o menino Albert passou a freqüentar a escola primária de Günsbach, onde não foi aluno brilhante. Um dia, os companheiros vieram dizer-lhe que o inspetor, de visita à escola, chamava-se Steinert, e isto causou-lhe profunda impressão, porque já tinha visto aquele nome, com todas as letras de ouro, no dorso de um livro. E livro, para o pequeno Albert criado num ambiente de estudo e leitura da Bíblia, era uma coisa sagrada. Por isso admirava-se de ver, em carne e osso, um homem que tinha o nome gravado na lombada de um livro.

Essa paixão pelo livro e pela leitura acompanhou-o sempre e cresceu com a idade. Quando ingressou na escola secundária de Münster, preparando-se para entrar no Ginásio de Mulhose, teve de deixar a casa paterna e foi morar com seu padrinho e tio-avô Luís Schweitzer, que o recebeu com bondade, mas também com o exemplo de uma austera disciplina. Muitas vezes o gosto entusiástico pela leitura criou dificuldades em casa do padrinho, que não vi com bons olhos a mania que o rapaz tinha de passar a noite com vela acesa sem conseguir fechar o livro começado.

 

Não foi bom aluno nos primeiros tempos do Ginásio. Entrara mal preparado e, além disso, era inclinado ao que ele mesmo chamou de “indolências e devaneios”. O fato é que não conseguia ajustar-se, sentir-se bem no curso, e já quase desanimava quando teve a felicidade de encontrar, no terceiro ano, o professor Dr. Welmann, que soube orientar seus estudos e devolver-lhe a confiança em si mesmo. Mas a melhor lição do Dr. Welmann foi dada, por assim dizer, sem que ele soubesse o que estava fazendo. Foi a lição de exemplo. O menino Albert observou que o professor preparava meticulosamente, cada uma de suas aulas. O aluno viu assim que o professor não era o que ele pensava e o que muita gente envelhece pensando: Uma torneira que se abre no início da aula e se fecha no fim. O estudante descobria que o professor era quem primeiro estudava. E como todas as sementes logo davam flores e frutos na alma daquele menino, nasceu-lhe logo a consciência de uma obrigação.

 

 

O bom exemplo de Dr. Welmann despertou na alma do jovem Albert a paixão exacerbada, talvez a maior ou a mais característica de sua vida: a do dever sobejamente cumprido, a da obra generosamente bem feita.

Todos sabem que é nos anos da infância e da primeira mocidade que se formam, como se fossem cristais definitivamente configurados, as tendências, os gostos, as idéias e convicções que constituem o caráter e a personalidade. Pensando na poderosa influência que a infância tem sobre o resto da vida, Machado de Assis, no seu modo especial de ver e de dizer as coisas, disse que “o menino é o pai do homem”. Convém, pois, observar com atenção os passos e o comportamento do menino Albert, se queremos entender os passos  mais largos e o comportamento do Dr. Schweitzer.

Albert Schweitzer foi uma criança extremamente sensível e muito tímida. Além disso, era imaginativo e dado a sonhos que lhe dificultavam a vida escolar. Um de seus pontos mais sensíveis era em referência à justiça e à equidade. Não gostava de levar vantagens e não suportava a idéia de ter algum privilégio, Não tolerava nada que ferisse o sentimento que tinha da igualdade dos homens. Houve episódios em sua vida que achamos tratar-se de esquisitices; ele não ia pra escola com sapatos de couro porque a maioria dos colegas usava tamancos; deixou de comer canja porque um coleguinha fez comentários a respeito; a mãe, ao sair às compras, quis dar-lhe uma boina, ele não aceitou a que estava na vitrine, exigiu uma bem modesta. De outra feita, chegou a apanhar uma surra do pai, para vestir um sobretudo confeccionado pelo alfaiate da aldeia. Usava-o em casa, mas recusava-se a sair com ele à rua. Esta atitude foi devido ao comentário do alfaiate que, no dia da última prova disse-lhe que aquele sobretudo dava ao menino Albert ares de fidalgo. Todas essas esquisitices eram sinais se uma fina sensibilidade moral e de um excepcional sentimento de justiça.

 

Continua...

 

 

cleudf
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sinto-me: Fortalecida pela graça de JESU
música: DIO COMO TI AMO
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