O JÚBILO DE QUEM AMA
30 de Maio de 2009

 

 

 

 

...Continuação

 

Infelizmente, o jovem professor de música de Albert, contrai numa epidemia, a febre tifóide, e morre na idade das esperanças, deixando seu discípulo profundamente magoado. Anos mais tarde, em 1898, o aluno agradecido escreve um pequeno livro de memórias intitulado “Eugen Münch”, e assim publica o seu primeiro livro. Nesse mesmo ano, graças à liberalidade do irmão mais velho de seu pai, instala-se em Paris e recebe lições do grande organista Charles-Marie Widor, que faz de Albert um exímio organista logo conhecido em toda a Europa.

Paralelamente à formação musical, o menino Albert passou a freqüentar a escola primária de Günsbach, onde não foi aluno brilhante. Um dia, os companheiros vieram dizer-lhe que o inspetor, de visita à escola, chamava-se Steinert, e isto causou-lhe profunda impressão, porque já tinha visto aquele nome, com todas as letras de ouro, no dorso de um livro. E livro, para o pequeno Albert criado num ambiente de estudo e leitura da Bíblia, era uma coisa sagrada. Por isso admirava-se de ver, em carne e osso, um homem que tinha o nome gravado na lombada de um livro.

Essa paixão pelo livro e pela leitura acompanhou-o sempre e cresceu com a idade. Quando ingressou na escola secundária de Münster, preparando-se para entrar no Ginásio de Mulhose, teve de deixar a casa paterna e foi morar com seu padrinho e tio-avô Luís Schweitzer, que o recebeu com bondade, mas também com o exemplo de uma austera disciplina. Muitas vezes o gosto entusiástico pela leitura criou dificuldades em casa do padrinho, que não vi com bons olhos a mania que o rapaz tinha de passar a noite com vela acesa sem conseguir fechar o livro começado.

 

Não foi bom aluno nos primeiros tempos do Ginásio. Entrara mal preparado e, além disso, era inclinado ao que ele mesmo chamou de “indolências e devaneios”. O fato é que não conseguia ajustar-se, sentir-se bem no curso, e já quase desanimava quando teve a felicidade de encontrar, no terceiro ano, o professor Dr. Welmann, que soube orientar seus estudos e devolver-lhe a confiança em si mesmo. Mas a melhor lição do Dr. Welmann foi dada, por assim dizer, sem que ele soubesse o que estava fazendo. Foi a lição de exemplo. O menino Albert observou que o professor preparava meticulosamente, cada uma de suas aulas. O aluno viu assim que o professor não era o que ele pensava e o que muita gente envelhece pensando: Uma torneira que se abre no início da aula e se fecha no fim. O estudante descobria que o professor era quem primeiro estudava. E como todas as sementes logo davam flores e frutos na alma daquele menino, nasceu-lhe logo a consciência de uma obrigação.

 

 

O bom exemplo de Dr. Welmann despertou na alma do jovem Albert a paixão exacerbada, talvez a maior ou a mais característica de sua vida: a do dever sobejamente cumprido, a da obra generosamente bem feita.

Todos sabem que é nos anos da infância e da primeira mocidade que se formam, como se fossem cristais definitivamente configurados, as tendências, os gostos, as idéias e convicções que constituem o caráter e a personalidade. Pensando na poderosa influência que a infância tem sobre o resto da vida, Machado de Assis, no seu modo especial de ver e de dizer as coisas, disse que “o menino é o pai do homem”. Convém, pois, observar com atenção os passos e o comportamento do menino Albert, se queremos entender os passos  mais largos e o comportamento do Dr. Schweitzer.

Albert Schweitzer foi uma criança extremamente sensível e muito tímida. Além disso, era imaginativo e dado a sonhos que lhe dificultavam a vida escolar. Um de seus pontos mais sensíveis era em referência à justiça e à equidade. Não gostava de levar vantagens e não suportava a idéia de ter algum privilégio, Não tolerava nada que ferisse o sentimento que tinha da igualdade dos homens. Houve episódios em sua vida que achamos tratar-se de esquisitices; ele não ia pra escola com sapatos de couro porque a maioria dos colegas usava tamancos; deixou de comer canja porque um coleguinha fez comentários a respeito; a mãe, ao sair às compras, quis dar-lhe uma boina, ele não aceitou a que estava na vitrine, exigiu uma bem modesta. De outra feita, chegou a apanhar uma surra do pai, para vestir um sobretudo confeccionado pelo alfaiate da aldeia. Usava-o em casa, mas recusava-se a sair com ele à rua. Esta atitude foi devido ao comentário do alfaiate que, no dia da última prova disse-lhe que aquele sobretudo dava ao menino Albert ares de fidalgo. Todas essas esquisitices eram sinais se uma fina sensibilidade moral e de um excepcional sentimento de justiça.

 

Continua...

 

 

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publicado por cleudf às 15:31 link do post
sinto-me: Fortalecida pela graça de JESU
música: DIO COMO TI AMO
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