O JÚBILO DE QUEM AMA
09 de Fevereiro de 2009

Continuação.

 

 

 

É fascinante quando deparamos com relato de vidas que foram, apesar da luta árdua, perseguições, exemplos de vida e dedicação à obra do Senhor Jesus. E a Bíblia enfatiza que "aqueles que vem a mim de maneira nenhuma lançarei fora",  portanto, a conversão de William Booth e a sua entrega total e fascinante na obra de Deus, além de ser bem-aventurado e alcançar a vida eterna, ainda deixa registrado um legado de excelente exemplos de santidade e amor ao próximo.

 

Para inteirarmos da vida deste homem de Deus, dedicado à seara, tornando-se um ceifeiro precioso com seu brilhantismo como servo de Deus, na incumbência de ganhar almas que, continuaremos no relato da sua biografia a qual nos fascina ,suplicando ao Senhor Deus que sigamos o exemplo de vida de WILLIAM BOOTH.

 

A admirável obra de Deus foi interrompida por uma estranha influência de oposições, encabeçada pelo velho ministro superitendente, que não podia ver um jovem comno William com tão extraordinário êxito. Muitos outros ministros, ao contrário, regozijavam-se no Senhor, reconhecendo que o Espírito Santo separou William para tão gloriosa obra.

 

A tormenta se desencandeou na Conferência anual. E assim, em 1857, foi decidido, por quarenta e quatro votos contra quarenta, que William cessasse sua obra de evangelização. Uma acalorada controvérsia durou cinco horas, precedendo essa decisão. O homem, cuja paixão era a salvação de almas e que estava divinamente chamado para isso, não devia mais ir de pessoa a pessoa, nem de cidade em cidade. Devia assentar-se e servir calmamente a uma pequena e pobre congregação...

 

Os quatro anos de prova terminaram e William foi ordenado pastor, desfrutando de todos os privilégios de um ministro. Muitas e muitas igrejas solicitaram os seus serviços, mas os opositores lograram impôr-se outra vez e a Conferência o nomeou a uma igreja em Gateshead. Estava decaída, mas o seu templo tinha capacidade para mil e duzentos pessoas. Ao primeiro serviço realizado, concorreram cento e trinta pessoas e seis delas buscaram a salvação. E foi num crescendo tal que muitos ficaram de pé, apinhados, colados uns aos outros e o povo da cidade falava do templo metodista como "A Casa das Conversões"."

 

No fogo da sua paixão pelas almas, William decidiu efetuar uma campanha de avivamento que durou dez semanas. As luzes do Pentencostes aí se iniciaram. Foram dias sagrados, que vieram a chamar-se "Dias com Deus". Como resultado desse esforço, mais de novescentas pessoas acharam a salvação. Entre estas, famílias inteiras. Muitos desses convertidos vieram a ser pregadores do evangelho. O período de sua permanência em Gateshead foi prolongado de um ano a três. Durante todo esse tempo não cessou a busca das almas para a salvação.

 

A senhora do ministro Palmer (vindos da América do Norte), começou a pregar sobre a doutrina da plenitude do Espírito> Isso desagradou a alguns ministros e se desencandeou uma terrível oposição contra as mulheres pregadoras. Chegou um folheto de acusação às mãos da senhora Booth. Ela, tomando de um pedaço de papel e um lápis, escreveu uma defesa t~so perfeita, que o esposo a aprovou e lhe deu toda a publicidade. era intitulada "O Ministério da Mulher". O Espírito de Deus falou à alma de Catarina, insistindo para que ela erguesse a sua voz feminina e testemunhasse publicamente de Cristo. dentro de si mesma ela respondeu: "Não posso..." E novamente afirmava: "Não posso fazer isso..." Ao sentir porém, que tais insinuações vinham do maligno, levantou-se e pediu ao esposo:

 

- Quero dizer uma palavra!

 

William, aquela figura imponente, de cabeleira negra, revolta e grandes olhos perspicazes, disse ao público:

 

- Minha querida esposa quer falar.

 

Que mulher extraordinária! Não, ela não falava por si mesma. O espírito Santo a impulsionava a falar. Tomou conta de sua garganta, de sua voz, do seu coração. Ela derramava a alma, discorrendo o assunto: "ENCHEI-VOS DO ESPÍRITO". A notícia desse primeiro e extraordinário sermão se propagou por toda a Inglaterra... E além fronteiras... Começou a receber convites para pregar. Tempos depois, quando o esposo adoeceu, Catarina dirigiu, com uma humildade e uma consagração dignas de aprovação, todo o âmbito de serviço de William. A crítica à sua pessoa foi dolorosa. Mas esta serva de Deus aceitou o opróbio como a porção que deveria sofrer por amor a Cristo.

Voltando a Londres, o cenário dos desamparados moveu o coração de William de tal modo que acreditou fosse a sua verdadeira missão o amparo dos desprovidos da sorte. Tiveram eles a imensa alegria de ver convertidos e consagrados à causa de Deus, todos os filhos. O Primogênito, Bramweel, em homenagem ao seu antecessor, ofereceu a vida ao Senhor em tenra idade. Foi criada a "Missão Cristã do Oeste de Londres" e esta foi o início do "Exército de Salvação". Decorria o ano de 1878. Catarina adoeceu de câncer e não quis submeter-se à operação. Durante os anos que passou sofrendo o matírio de tão terrível enfermidade, manifestou o mesmo espírito e propósito que havia tido no curso da sua vida desde o dia em que, junto com o esposo, se lançou à guerra santa, procurando despertar e alentar outras vidas, Deu, mesmo durante os dias mais sombrios, mensagens a grandes congregações, todos sabendo que ela se encontrava às portas da morte. Em 14 de outubro de 1890, faleceu Catarina Booth. William vê partir para a eternidade a alma da companheira de mais de quarenta anos de afinidade perfeita. Era querida e venerada por pessoas de todas as classes sociais. Cerca de trinta e seis mil pessoas estiveram presentes no seu enterro.

 

O "Daily Telegraph" publicou: "Era um quadro sumamente comovedor quando o alto e ereto general se adiantou na penumbra para falar da perda que havia sofrido. Falou veronilmente, sem o menor sinal de fraqueza, como um soldado que havia aprendido a dominar suas emoções. Poucas esposas no mundo têm recebido tão eloquente homenagem dos seus maridos, como o general Booth rendeu à sua companheira. Fácil é ver agora onde se encontra a FORTALEZA DO EXÉRCITO DE SALVAÇÃO"!

 

A entidade salvacionista, conhecida no mundo inteiro, foi organizada com todos os moldes de um exército de armas. Seus soldados percorreram todas as nações.

 

Bramwell Booth, ao assumir a liderança em lugar do pai, disse as palavras que depois ficaram como lema: "Toda a terra é minha, pois todas as terras pertencem ao meu Pai Celestial!" Evangelina Booth, chegou a ocupar a posição eminente de gereral tendo antes passado um período de trinta anos como salvacionista nos Estados Unidos.

 

William, que vinha enfermo da vista, submeteu-se a uma cirurgia e o filho, ao dar-lhe a infausta notícia da cegueira, recebeu a seguinte resposta: "Trabalhei para o meu Mestre com a minha vista, Bramwell, e agora trabalharei para ele sem a vista!" Homem valente e admirável, santo de grande coração, elevou-se acima de novo para a luta! Ema, uma das filhas, sofreu um acidente ferroviário vindo a perder a vida, e foi este um golpe terrível para o guerreiro William. Mais tarde, ao sentir as primeiras demonstrações de fraqueza física, disse a uma das filhas: "Já começo a antecipar o dia em que encontrarei com a tua querida mamãe e com tua irmãzinha Ema!"

 

Certa vez, - relata Minie Carpenter, sua biógrafa e salvacionista do Exército, - perguntaram a William qual o segredo do seu triunfo, ao que ele exclamou: "DECIDI DAR A DEUS TUDO O QUE HAVIA EM WILLIAM BOOTH!"

 

E enquanto o Exército de Salvação prossegue, vitorioso, incendiando o mundo com a mensagem do Evangelho, o seu fundador passa os últimos dias terrenos confinado a um leiro de dor. De vez em quando se ouve o grande cedo exclamar: "Oh! A salvação das gentes!... E dirigindo-se ao filho: Oh! Bramwell, cuida dos desamparados!". Suas últimas palavras audíveis, são: "As promessas de Deus são certas!" E faz ênfase sobre o qualificativo.

 

Fica insconsciente. Há só um suave respirar até o fim, quando é promovido à Glória eterna, no dia 20 de agosto de 1912.

 

Fonte: Vidas Poderosas- Elias Tognini

 

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06 de Fevereiro de 2009

 

Nasceu em Nottingham, Inglaterra, a 10 de abril de 1829, filhos de pais humildes. Tinha três irmãs e no seu lar nunca se falou de religião. Eram reservados e os vizinhos os olhavam como pessoas misteriosas. William tinha um primo sapateiro, metodista, cuja vida cristã era atraente. Com ele se associou nos deveres religiosos. Samuel Booth, pai de William, caiu gravemente enfermo e buscaram a ajuda espiritual do sapateiro. Nos últimos instantes compreendeu que havia gasto mal a sua vida, vivendo de maneira insensata. Arrependeu-se, pediu perdão dos pecados e morreu confiando em Jesus. Esse primeiro contato com a morte causou no ânimo de William uma forte impressão. Compreendeu que era um espírito imortal e que só tinha uma vida. Que faria para bem vive-la? Tais pensamentos o levaram a uma igreja metodista da qual o seu primo era membro e ali se filiou a uma  classe onde se  ministravam instruções espirituais.

 

Quando se encontrou com Cristo, ficou muito clara em sua mente uma falha da qual, para livrar-se devia fazer confissão pública. Lutou, mas venceu. O peso lhe saiu do coração e experimentou uma paz sem limites. Por esse tempo visitou Nottingham um pastor metodista de nome James Caughey, piedoso homem de Deus e poderoso pregador. Uma onda de avivamento passou pela cidade e cerca de mil almas buscaram a salvação. William sentiu dentro de si as ardências da vocação de ganhar alma para Cristo. Fez amizade com um companheiro piedoso, William Sansom e os dois foram como Jônatas e Davi. Com ele iniciou suas pregações. Foi durante a revolução política de Londres que William teve a visão gloriosa da possibilidade de uma entrega total. Escreveu ao amigo: "Desejo oferecer-me ao exército, pois se for à Austrália como capelão de um transporte de prisioneiros, pregarei aos piores homens acerca da salvação em Cristo." E seu grito de combate deveria ser: "CRISTO PARA MIM".

Pouco tempo depois dessa liberação, seu amigo, Sr. Rabbittis aconselhou-o a abandonar a vida comercial da qual obtinha o sustento, para aceitar um lugar num pastorado entre os reformadores. era uma oportunidade de empregar o tempo no trabalho de Deus. Aceitou uma oferta de um pequeno salário e, ao despedir-se, o patrão lhe ofereceu lucros vantajosos, mas William escapou da escravidão e passou a dedicar sua vida ao serviços do Mestre.

 

Aos vinte e três anos encontrou-se com uma jovem que seria sua companheira. Eram quase da mesma idade e sentiram fortes afinidades um pelo outro. Entregaram ao Senhor o problema. Ele era a senhorita Catarina Mumford membro assíduo e consagrado da Igreja Metodista. Seu lar era refinadamente cristão e muito cedo Catarina entregou o coração a Cristo. Desde menina revelava um caráter impoluto. Tinha dó dos que sofriam; penalizava-se dos animais esquálidos e lhes comprava alimentos com  o dinheiro que lhe caía às mãos; leu muito e adquiriu conhecimentos como poucas meninas de sua idade. Sobretudo, lia a Bíblia e os escritos de Wesley, de Fletcher e de Bramwell. "Quero ter um coração limpo", repetia-se a si mesma. Por motivo de aliar-se aos reformadorres, expulsaram-na da Igreja onde passara a meninice. Foi então que conheceu William Booth. O primeiro contato se deu numa igreja reformada com a qual Catarina se filiara e onde William fora convidado a pregar. Pareceu-lhe que o sermão havia sido o melhor que já ouvira. A mensagem e personalidade do pregador a atraíram e ao se cumprimentarem eram como conhecidos de há muito tempo.

William gostava de decidir sem vacilações. Assim se deu ao comprometer-se com Catarina e ao resolver entrar no Seminário de Londres a fim de preparar-se melhor para o ministério da Palavra. Tais progressos fez nos estudos que, ao cabo de um ano, foi recomendado como ministro e aprovado por quatro anos, podendo casar-se no primeiro ano. Foi nomeado pastor assistente numa igreja de Londres, mas foram tantos os convites para trabalhos de evangelização e tão grande a colheita de almas, que lhe deram mais ampla liberdade de ação.

 

A cerimonia nupcial de Catarina e William não teve flores, nem música, nem público. Eram a noiva, o noivo, o ministro e as testemunhas. Seguiram imediatamente para o campo de batalha: as casas de uns e de outros, evangelizando, doutrinando. Visitaram as ilhas do Canal da Mancha e as cidades ao norte e oeste da Inglaterra.

As "Festas de amor" do tempo de Wesley prosseguiram e William expressava o seu apego à ação direta do Espírito Santo para a vida de serviço. Catarina escreve à sua mãe: "Calcula-se que estavam presentes duas mil pessoas. Meu amado esposos falou cerca de duas horas, com o interesse e a atenção de todos."

Durante uma das campanhas que efetuou em Cornwall, aprendeu a importante lição de deixar o povo expandir-se em "glórias e aleluias". Tais demonstrações de gozo espiritual se apartavam dos costumes de reserva e absoluto silencio nos serviços religiosos. Outra lição aprendida foi a de evitar as demonstrações públicas que lhes eram oferecidas.

William foi designado para dirigir uma campanha evangelística na sua cidade natal. Anos antes havia saído de Nottingham como jovem pobre, desconhecido e sem emprego. Voltava como evangelista, coberto de honras e acompanhado de sua encantadora esposa. A capela onde se havia encontrado com o Amado Salvador e onde havia recebido a inspiração do piedoso Caughey para a sua vocação ministerial, regorgitava de gente para ouví-lo. Catarina escreve à sua mãe: "O intendente municipal, sua senhora e cinco filhos, vieram constantemente às reuniões."  O tesoureiro da igreja escreveu para uma revista: "O Senhor Booth é um homem extraordinário. Jamais passei, em toda a minha vida, seis semanas como estas últimas".

Continua...

 

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